Costa convida Guterres para cimeira de líderes da UE focada no Irão e competitividade

Costa convida Guterres para cimeira de líderes da UE focada no Irão e competitividade

O presidente do Conselho Europeu convidou o secretário-geral da ONU, António Guterres, para a cimeira de líderes da UE da próxima semana, centrada na guerra no Irão e nas suas repercussões económicas, assim como na competitividade da economia.

Lusa /

Numa carta-convite dirigida hoje aos chefes de Estado e Governo da União Europeia (UE), António Costa indica que convidou António Guterres para se juntar aos líderes num almoço de trabalho, com o intuito de "discutir a deterioração da situação internacional e como a UE, em cooperação com os seus parceiros, pode agir para defender o multilateralismo".

Este convite a António Guterres é feito numa altura em que tem havido divergências na UE quanto à postura a adotar perante os ataques de Israel e Estados Unidos ao Irão: enquanto os líderes de Espanha e Itália já consideraram estar em causa uma violação do direito internacional, o chanceler alemão defendeu que não é o momento de "dar lições" aos aliados e a presidente da Comissão Europeia considerou que a Europa não "pode continuar a ser a guardiã da velha ordem internacional".

A guerra no Irão vai ser precisamente um dos temas centrais desta cimeira, com António Costa a salientar que as suas "consequências já estão a ser sentidas na Europa" e a frisar que é preciso abordar a resposta da UE "às suas repercussões geopolíticas e económicas, incluindo no que se refere aos preços da energia e à segurança energética".

"Juntos, temos de identificar os instrumentos que precisamos de mobilizar para garantir uma resposta atempada, coordenada e eficaz, que protege os nossos cidadãos e empresas, trabalhando simultaneamente no sentido de redução das tensões e estabilidade na região", afirma, referindo que os líderes vão também discutir a "situação preocupante" no Líbano, Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

A guerra na Ucrânia vai também voltar a ser discutida pelos líderes, numa altura em que a Hungria continuar a bloquear um empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev, por acusar o seu executivo de estar a paralisar propositadamente a transferência de petróleo russo para o país através do oleoduto de Druzhba.

Costa diz ter convidado o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a dirigir-se aos chefes de Estado e de Governo na reunião, sem referir se a intervenção será feita presencialmente ou por videoconferência.

"Vamos reafirmar o nosso apoio incondicional à Ucrânia, que continua a defender-se contra a agressão russa e a lutar por uma paz justa e duradoura", antecipa Costa, que defende que é necessário "aumentar a pressão sobre a Rússia para que encete negociações significativas com vista à paz".

Costa refere também que, tendo em conta o atual contexto geopolítico, os líderes vão "rever os esforços em curso para aumentar a prontidão" de Defesa na UE, pedindo que se "registem progressos rápidos no reforço da Europa da Defesa, incluindo na sua dimensão industrial, como componente fundamental da autonomia estratégica" do continente.

A nível interno, os líderes vão também discutir o reforço do mercado único e a competitividade da economia europeia, um mês depois de se terem reunido no castelo de Alden Biesen, no leste da Bélgica, para retiro informal convocado por Costa precisamente para debater esses temas.

Costa defende que é necessário "traduzir o sentimento de urgência" das discussões nesse retiro informal para uma agenda com "medidas concretas e prazos ambiciosos".

"A implementação conjunta destas medidas contribuirá para a nossa prosperidade e para a acessibilidade geral do custo de vida dos nossos cidadãos, tornando a UE mais resiliente a crises futuras. Tudo isto requer uma orientação política clara e sustentada do Conselho Europeu", defende.

No contexto desta discussão, o presidente do Conselho Europeu quer também abordar a contribuição que o próximo orçamento comunitário, para o período entre 2028 e 2034, poderá ter nessa "agenda da competitividade".

"Temos de ter uma discussão sincera sobre como é que podemos conciliar as nossas ambições com o nível adequado de financiamento", refere.

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