Costa do Marfim critica exigências do Mali para a libertação de soldados detidos

A Costa do Marfim classificou hoje as exigências do Mali para a libertação de 46 soldados detidos em Bamako há dois meses de "chantagem inaceitável", apelando a uma cimeira da África Ocidental sobre o assunto "o mais rapidamente possível".

Lusa /

Na semana passada, a junta no poder em Bamako tinha condicionado a libertação dos soldados à extradição dos oficiais malianos que viviam em Abidjan.

"O Conselho de Segurança Nacional considera esta chantagem inaceitável e exige a libertação dos nossos 46 soldados sem demora", de acordo com uma declaração da instituição presidida pelo Presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara.

"Este pedido [do Mali] confirma mais uma vez que os nossos soldados não são de modo algum mercenários, mas sim reféns", considerou o chefe de Estado.

Esta é a primeira reação oficial da Costa do Marfim, desde as declarações da junta do Mali, na sexta-feira.

"Tendo em conta os últimos desenvolvimentos, suscetíveis de minar a paz e a segurança na sub-região, a Costa do Marfim solicitou também hoje uma reunião extraordinária dos chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Estados da África Ocidental" (CEDEAO), atualmente liderada pelo Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, "o mais rapidamente possível".

A 10 de julho, 49 soldados marfinenses foram detidos no Mali, apresentados como "mercenários" e depois acusados, em meados de agosto, de "tentarem minar a segurança externa do Estado" e formalmente encarcerados.

Abidjan afirma que os soldados estavam a realizar operações de apoio logístico à missão das Nações Unidas no Mali (Minusma).

No início de setembro, três das 49 mulheres soldados foram libertadas, um "gesto humanitário" do Mali descrito por Abidjan como um "bom sinal".

Alguns dias mais tarde, o chefe da junta governamental do Mali, coronel Assimi Goïta, falou da necessidade de um "quid pro quo", referindo-se à extradição de figuras malianas que vivem em Abidjan.

Estão em curso várias mediações para obter a libertação dos 46 soldados ainda presos, incluindo os do Presidente togolês, Faure Gnassingbé, e dos líderes religiosos do Mali.

As relações entre o Mali e a sua vizinha Costa do Marfim deterioraram-se desde que os coronéis tomaram o país pela força, em agosto de 2020, que enfrenta ataques jihadistas desde 2012 e está mergulhada numa profunda crise política e de segurança.

Bamako acusa Abidjan, em particular, de ter incitado os seus parceiros da África Ocidental a endurecer as sanções contra os militares malianos. As sanções foram finalmente levantadas no início de julho.

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