Acordo com Mercosul. Costa associa críticas na Europa a "perceção totalmente errada"
António Costa considera que este é um acordo histórico entre a União Europeia e o Mercosul e contrariou as críticas de que este favorece a Europa. Para o presidente do Conselho Europeu, trata-se de um acordo comercial, mas também de investimento.
O presidente do Conselho Europeu afirmou que as críticas provenientes de alguns setores agrícolas na Europa assentam em perceções erradas do acordo comercial com o Mercosul, que é assinado este sábado.
"Eu acho que esse debate na Europa assenta muito uma perceção totalmente errada daquilo que está previsto no acordo", defendeu na sexta-feira António Costa, em declarações à imprensa na cidade brasileira do Rio de Janeiro.
O presidente do Conselho Europeu frisou ainda que "todos os estudos indicam, e a Comissão tem no site da Comissão, país por país, qual é o impacto na economia de cada um dos países europeus deste acordo".
Jornal da Tarde | 17 de janeiro de 2026"E mesmo no setor agrícola, há, digamos, três ou quatro setores onde a concorrência será a mais forte para os países da América Latina e do Mercosul. É a carne de boi, é o açúcar, a galinha e alguns produtos lácteos", recordou, afirmando, contudo, que mesmo nestas áreas "as cotas que estão estabelecidas são cotas muito baixas", variando entre 1,4% e 1,6% da produção europeia.
"Portanto, essa concorrência, sim, vai ser concorrência, mas isso faz parte da vida económica. Não há vida económica sem concorrência. Mas é uma concorrência que está muito limitada", defendeu.
O ex-primeiro-ministro recordou ainda que a Europa conseguiu no acordo "o reconhecimento de centenas de dominações de origem de queijos, de vinhos, de azeite, que são produtos de grande valor em muitos países, por exemplo, em França", um dos países que se opôs ao acordo.
"Portanto, essa ideia de que os agricultores em geral estão contra não é correta", afirmou, acrescentando que, num acordo comercial deste tamanho, "é evidente que, nuns casos, é melhor para uns, noutros casos, é melhor para outros".
"Vai ser um dia histórico porque vamos finalmente assinar um acordo que é o maior acordo comercial do mundo e que começou a ser negociado há 25 anos", disse, utilizando uma tónica semelhante à presidente da Comissão Europeia.
Ao contrário do que acontece, por exemplo na China, a política do acordo do Mercosul "não é chegar e extrair os minérios, para que depois o valor acrescentado seja gerado noutro local".
"As parcerias que temos vindo a desenvolver é no sentido de atrair investimento e tecnologia europeia para fazer valorização desses minérios no local (...), portanto, acrescentar valor à economia local e também depois poder utilizar nas nossas produções industriais", explicou António Costa.
Num encontro no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, que não contou com a presença de António Costa, devido ao cancelamento de um voo, a líder europeia sublinhou que o acordo representa "a força da amizade e da compreensão entre povos e regiões separados por oceanos" e que é desta forma que se cria "prosperidade real, uma prosperidade partilhada".