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COVID-19
Covid-19. Como é que os cientistas identificam as novas variantes?
Nos últimos meses foram identificadas novas estirpes do Sars-CoV-2 na África do Sul, no Brasil, no México e no Reino Unido. Até agora, só três destas variantes chegaram a Portugal. Algumas são mais contagiosas e já se propagaram por vários países. Mas afinal como é que os cientistas conseguem identificar as novas variantes do coronavírus?
A variante inglesa, detetada pela primeira vez em setembro de 2020 no condado britânico de Kent, já chegou a pelo menos 50 países e pode vir a disseminar-se ainda mais. Esta nova estirpe levou ao aumento de casos de infeção e, consequentemente, de internamentos hospitalares e mortes, apesar de o país estar em confinamento e sob restrições apertadas.
Em outubro de 2020, começou uma nova onda de Covid-19 na África do Sul, afetando principalmente a província de Cabo Oriental, cuja taxa de infeção era muito superior à das restantes regiões do país. Rapidamente os investigadores descobriram que se tratava de uma nova estirpe.
Em outubro de 2020, começou uma nova onda de Covid-19 na África do Sul, afetando principalmente a província de Cabo Oriental, cuja taxa de infeção era muito superior à das restantes regiões do país. Rapidamente os investigadores descobriram que se tratava de uma nova estirpe.
Mais recentemente, foi identificada uma outra variante do Sars-Cov-2 em Manaus, no Brasil, quando o número de casos subiu exponencialmente, os hospitais ficaram sobrelotados e sem oxigénio para os doentes mais graves.
Estas novas variantes, mais contagiosas, foram uma das principais causas que levou ao aumento de casos e à ruptura de sistemas de saúde em vários países, incluindo na Europa. E a tendência é que outras mutações continuem a surgir enquanto o vírus estiver em circulação.
De facto, os vírus podem sofrer mutações à medida que se vão replicando após infetar uma pessoa. Mas a questão é: como é que os especialistas vão descobrindo estas mutações?
Os investigadores têm analisado amostras do vírus, retiradas de pessoas infetadas, para tentarem encontrar ou identificar mutações, através de um processo chamado de sequenciação genética.
Já foram sequenciados, em todo o mundo, mais de 500 mil genomas do coronavírus que causa a Covid-19. Ao sequenciar as amostras de vírus ao longo do tempo, os cientistas podem descobrir mudanças ou mutações recorrentes no genoma deste.
De facto, os vírus podem sofrer mutações à medida que se vão replicando após infetar uma pessoa. Mas a questão é: como é que os especialistas vão descobrindo estas mutações?
Os investigadores têm analisado amostras do vírus, retiradas de pessoas infetadas, para tentarem encontrar ou identificar mutações, através de um processo chamado de sequenciação genética.
Já foram sequenciados, em todo o mundo, mais de 500 mil genomas do coronavírus que causa a Covid-19. Ao sequenciar as amostras de vírus ao longo do tempo, os cientistas podem descobrir mudanças ou mutações recorrentes no genoma deste.
"Se não soubermos estas coisas, agimos às cegas", afirmou à Associated Press Sara Vetter, diretora do Departamento de Saúde de Minnesota.
A maioria das mutações não traz grandes consequências, mas outras podem tornar um vírus mais contagioso, mortífero ou até resistente a vacinas e tratamentos.
Comunidade cientifica preocupada com três novas variantes
Os investigadores estão principalmente preocupados com as três variantes detetadas pela primeira vez no Reino Unido, na África do Sul e no Brasil, uma vez que estas parecem ser mais contagiosas e se têm espalhado mais rapidamente.
Comunidade cientifica preocupada com três novas variantes
Os investigadores estão principalmente preocupados com as três variantes detetadas pela primeira vez no Reino Unido, na África do Sul e no Brasil, uma vez que estas parecem ser mais contagiosas e se têm espalhado mais rapidamente.
Até agora tudo indica que as vacinas que já estão disponiveis e em uso em vários países continuam a ser eficazes contra as variantes do Sars-Cov-2, embora já se tenha concluído que essa eficácia pode ser mais reduzida contra a estirpe sul-africana.
"Quanto mais pessoas estiverem infetadas numa população, maior a probabilidade de aparecer uma nova variante", explicou à BBC a microbiologista Ana Paula Fernandes, investigadora do Centro de Tecnologia em Vacinas e Diagnóstico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Sem medidas de contenção e sem uma ampla cobertura de vacinas, pode ser que surja uma variante que vá defraudar completamente as vacinas. Isso é uma preocupação".
Também a líder do programa de vigilância genética do Reino Unido, Sharon Peacock, afirmou que a variante do coronavírus encontrada pela primeira vez em Inglaterra vai adquirir mutações que poderão reduzir a eficácia das vacinas atuais.
"É inevitável que o vírus continue a sofrer mutações porque é a natureza, é a evolução. O que é preocupante é que a (B)117, a variante que temos em circulação há semanas ou meses, está a começar a adquirir novas mutações, o que pode afetar a forma como abordamos o vírus em termos de imunidade e a eficácia das vacinas", disse a diretora do Consórcio Covid-19 Genomics UK (COG-UK), Sharon Peacock.
"É inevitável que o vírus continue a sofrer mutações porque é a natureza, é a evolução. O que é preocupante é que a (B)117, a variante que temos em circulação há semanas ou meses, está a começar a adquirir novas mutações, o que pode afetar a forma como abordamos o vírus em termos de imunidade e a eficácia das vacinas", disse a diretora do Consórcio Covid-19 Genomics UK (COG-UK), Sharon Peacock.
O Genomics UK Consortium para a Covid-19 é constituído por uma rede de laboratórios e órgãos de saúde pública que está atualmente a analisar cerca de 30 mil testes positivos por dia, fazendo a sequenciação do genoma do vírus em milhares de testes para identificar mutações e potenciais novas variantes.
Nas últimas semanas, as autoridades de saúde britânicas identificaram dezenas de casos em Bristol, no sul de Inglaterra, e em Liverpool, no Norte, com mutações diferentes que são motivo de preocupação e estão já a ser investigadas.
Nas últimas semanas, as autoridades de saúde britânicas identificaram dezenas de casos em Bristol, no sul de Inglaterra, e em Liverpool, no Norte, com mutações diferentes que são motivo de preocupação e estão já a ser investigadas.
A análise de testes a pessoas infetadas em Bristol resultou na identificação de uma mutação tipo E484K, que afeta a forma como o vírus adere às células das pessoas, também encontrada na variante B1351, detetada na África do Sul, e variante B1128, detetada no Brasil - esta mutação permite ao coronavírus escapar aos anticorpos desenvolvidos, tanto pelas vacinas como por uma infeção anterior.
Na semana passada, a equipa de investigadores da Universidade de Oxford que desenvolveu a vacina contra a covid-19 com a farmacêutica AstraZeneca confirmou que esta é eficaz contra a variante B117, do Reino Unido, mas é menos eficaz contra a variante B1351, da África do Sul.
Segundo Peacock, "é preocupante que a (B)117, que é mais transmissível e se espalhou pelo país, esteja agora a sofrer mutações e a desenvolver esta nova mutação que pode ameaçar a vacinação". Além disso, sendo mais contagiosa, esta estirpe "espalhou-se pelo país e provavelmente vai espalhar-se pelo mundo", mas ainda está por provar se é mais mortífera ou se o aumento do número de mortes se deve à sua maior transmissibilidade.
Segundo Peacock, "é preocupante que a (B)117, que é mais transmissível e se espalhou pelo país, esteja agora a sofrer mutações e a desenvolver esta nova mutação que pode ameaçar a vacinação". Além disso, sendo mais contagiosa, esta estirpe "espalhou-se pelo país e provavelmente vai espalhar-se pelo mundo", mas ainda está por provar se é mais mortífera ou se o aumento do número de mortes se deve à sua maior transmissibilidade.
Esta quinta-feira, contudo, a farmacêutica AstraZeneca anunciou que o desenvolvimento e produção de uma vacina eficaz contra as novas variantes da covid-19 pode demorar entre seis a nove meses.