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COVID-19
Covid-19 na Alemanha. Estudo identifica ligação entre extrema-direita e elevadas taxas de contágio
Um estudo recente revelado na revista Der Spiegel apurou que o número de infeções por SARS-CoV-2 aumentou drasticamente nas regiões do país onde o partido de extrema-direita AfD tem maior apoio.
Bad Schandau é uma cidade alemã onde os confrontos com a polícia são muito raros, mas no início da semana registaram-se ataques contra as autoridades, isto quando a polícia verificava o cumprimento das regras em vigor devido à pandemia.
Pode ter sido um caso isolado, mas vem ao encontro do que revelou um estudo divulgado na sexta-feira na edição internacional da revista Der Spiegel: nas regiões da Alemanha onde a direita radical é particularmente forte, as medidas de impostas pelo Estado destinadas a conter a propagação da pandemia não são bem aceites. Nestas regiões, o número de casos de coronavírus tem crescido dramaticamente.
"Nos bairros onde a AfD obteve mais um ponto percentual, a incidência durante a fase inicial da primeira onda foi, em média, 2,2 pontos maior", destacou o sociólogo Christoph Richter, um dos autores do estudo, citado pelo semanário alemão.
Pode ter sido um caso isolado, mas vem ao encontro do que revelou um estudo divulgado na sexta-feira na edição internacional da revista Der Spiegel: nas regiões da Alemanha onde a direita radical é particularmente forte, as medidas de impostas pelo Estado destinadas a conter a propagação da pandemia não são bem aceites. Nestas regiões, o número de casos de coronavírus tem crescido dramaticamente.
O relatório citado pela revista alemã indica que as circunscrições eleitorais em que o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve mais votos em 2017 são as que tiveram maior número de casos de Covid-19 em 2020.
Segundo o estudo conjunto do Instituto de Investigação para a Coesão Social e do Centro Helmholtz de Munique, os especialistas excluíram outros fatores, como o número de escolas e de funcionários em teletrabalho, de qualquer influência nos resultados.
Bad Schandau está localizada nas montanhas de Elbe Sandstone, onde o AfD, partido de extrema-direita, recebeu pouco menos de 32 por cento dos votos nas eleições gerais de setembro. E, coincidente ou não, a incidência de infeções em sete dias é uma das mais altas do país.
Mas esta situação alarmante não é exclusiva das montanhas de arenito do Elba. Nos mapas que indicam a taxa de incidência, quase todo o Estado da Saxónia, no leste da Alemanha, está a vermelho escuro, assim como o Estado vizinho de Turíngia - em ambos os Estados, a AfD consegue regularmente mais de 20 por cento dos votos nas eleições.
"Nos bairros onde a AfD obteve mais um ponto percentual, a incidência durante a fase inicial da primeira onda foi, em média, 2,2 pontos maior", destacou o sociólogo Christoph Richter, um dos autores do estudo, citado pelo semanário alemão.
A investigação em causa partiu da premissa de que, nas regiões em que a extrema-direita alemã conta com maior apoio, a população é mais cética em relação às instituições democráticas e cumpre menos as medidas restritivas para combater a covid-19.
Alta taxa de contágios associada a apoiantes da extrema-direita
Para a equipa interdisciplinar que realizou a investigação existe uma clara relação entre os resultados das eleições e a disseminação do coronavírus. As conclusões apresentadas pelos autores são explícitas: quanto maior o número de votos a AfD obteve numa região nas eleições de 2017, mais rápido o coronavírus se espalhou nessa zona em 2020.
Segundo os analistas, não há outro partido representado no Bundestag cujos resultados eleitorais se relacionem de forma tão forte e sistemática com as taxas de infeção pelo SARS-CoV-2.
Os investigadores analisaram 411 circunscrições eleitorais, tendo em conta uma variedade de fatores demográficos e sanitários, tendo chegado à conclusão de que nas que a AfD recolheu mais votos registaram-se mais contágios com o novo coronavírus nas duas ondas da pandemia em 2020. Nos estados federados da Saxónia e da Turíngia, por exemplo, a incidência nessa época foi particularmente elevada e a taxa de vacinação inferior à do resto do país.
“A suposição às vezes argumentada de que esta ligação é um fenómeno limitado à Alemanha Oriental não é confirmada”, indicaram, porém, os autores do estudo, que consideraram esta ligação “altamente significativa”.
No início da pandemia, o vírus disseminou-se principalmente no oeste da Alemanha e, mesmo assim, mais rápido do que noutras zonas em certas regiões onde a direita tem força acima da média.
“É possível que o leste tenha sido afetado depois porque a maioria dos viajantes em trabalho ou pessoas que regressavam das férias foram mais para cidades como Hamburgo e Munique, e menos para Cottbus ou Schwerin”, explicam os autores.
“O facto de os resultados serem tão claros também nos surpreendeu um pouco”, acrescentou o sociólogo Christoph Richter.Nem todos os eleitores são antivacinas ou contra as medidas
Os investigadores sublinham que nada indica neste estudo que “todos os eleitores da AfD são críticos das medidas de proteção contra a covid, e nem todos os ‘antivacinas’ têm afinidade com a AfD".
Para a equipa interdisciplinar que realizou a investigação existe uma clara relação entre os resultados das eleições e a disseminação do coronavírus. As conclusões apresentadas pelos autores são explícitas: quanto maior o número de votos a AfD obteve numa região nas eleições de 2017, mais rápido o coronavírus se espalhou nessa zona em 2020.
Segundo os analistas, não há outro partido representado no Bundestag cujos resultados eleitorais se relacionem de forma tão forte e sistemática com as taxas de infeção pelo SARS-CoV-2.
Os investigadores analisaram 411 circunscrições eleitorais, tendo em conta uma variedade de fatores demográficos e sanitários, tendo chegado à conclusão de que nas que a AfD recolheu mais votos registaram-se mais contágios com o novo coronavírus nas duas ondas da pandemia em 2020. Nos estados federados da Saxónia e da Turíngia, por exemplo, a incidência nessa época foi particularmente elevada e a taxa de vacinação inferior à do resto do país.
“A suposição às vezes argumentada de que esta ligação é um fenómeno limitado à Alemanha Oriental não é confirmada”, indicaram, porém, os autores do estudo, que consideraram esta ligação “altamente significativa”.
No início da pandemia, o vírus disseminou-se principalmente no oeste da Alemanha e, mesmo assim, mais rápido do que noutras zonas em certas regiões onde a direita tem força acima da média.
“É possível que o leste tenha sido afetado depois porque a maioria dos viajantes em trabalho ou pessoas que regressavam das férias foram mais para cidades como Hamburgo e Munique, e menos para Cottbus ou Schwerin”, explicam os autores.
“O facto de os resultados serem tão claros também nos surpreendeu um pouco”, acrescentou o sociólogo Christoph Richter.Nem todos os eleitores são antivacinas ou contra as medidas
Os investigadores sublinham que nada indica neste estudo que “todos os eleitores da AfD são críticos das medidas de proteção contra a covid, e nem todos os ‘antivacinas’ têm afinidade com a AfD".
No entanto, as conclusões revelam que a campanha da extrema-direita contra a alegada "ditadura covid" não contribuiu para convencer a população a ser vacinada, adiantam.
Embora 50 por cento dos eleitores não vacinados tenham votado nas eleições nacionais de setembro para a AfD, isso não significa necessariamente que o partido tenha contribuído significativamente para a rejeição das medidas de proteção e das vacinas.
“O Estado e a sociedade precisam de investir muito mais na educação democrática e temos de fortalecer a sociedade civil”, afirmam os autores. "Essa é a única maneira de mudar positivamente o clima político nestas regiões”.
Embora a investigação não tenha utilizado dados atuais, tendo em vista a atual situação epidémica, é de se supor que o fenómeno se manifeste ainda com mais força, sublinhou Christoph Richter, citado pelo canal de televisão alemão NTV.
“Isso é demonstrado pelo debate sobre a vontade de ser vacinado em regiões que atualmente têm incidências particularmente altas”, explicou.
Uma sondagem do instituto de opinião Forsa, com base numa amostra de 3.000 pessoas e publicada dia 11 deste mês, apontou que dois terços dos não vacinados votam na AfD ou no partido negacionista A Base. Segundo a sondagem, a percentagem de votos dos extremistas entre os não vacinados é cinco vezes mais elevada do que na generalidade da população.
Na Alemanha, 67,9 por cento da população tem a vacinação contra a covid-19 completa e 70,4 por cento, pelo menos, recebeu a primeira dose. Durante semanas, nenhum progresso notável foi realizado para o país alcançar a imunidade de grupo, facto que foi amplamente atribuído à resistência de parte da população à vacinação.
Este sábado, as autoridades de saúde alemãs registaram uma incidência semanal de 362,2 infeções pelo novo coronavírus por 100 mil habitantes, o que representa o nível mais alto desde o início da pandemia, segundo os últimos dados do Instituto Robert Koch (RKI). Na semana passada, a incidência semanal foi de 277,4 e no mês passado foi de 80,4.
Embora 50 por cento dos eleitores não vacinados tenham votado nas eleições nacionais de setembro para a AfD, isso não significa necessariamente que o partido tenha contribuído significativamente para a rejeição das medidas de proteção e das vacinas.
“O Estado e a sociedade precisam de investir muito mais na educação democrática e temos de fortalecer a sociedade civil”, afirmam os autores. "Essa é a única maneira de mudar positivamente o clima político nestas regiões”.
Embora a investigação não tenha utilizado dados atuais, tendo em vista a atual situação epidémica, é de se supor que o fenómeno se manifeste ainda com mais força, sublinhou Christoph Richter, citado pelo canal de televisão alemão NTV.
“Isso é demonstrado pelo debate sobre a vontade de ser vacinado em regiões que atualmente têm incidências particularmente altas”, explicou.
Uma sondagem do instituto de opinião Forsa, com base numa amostra de 3.000 pessoas e publicada dia 11 deste mês, apontou que dois terços dos não vacinados votam na AfD ou no partido negacionista A Base. Segundo a sondagem, a percentagem de votos dos extremistas entre os não vacinados é cinco vezes mais elevada do que na generalidade da população.
Na Alemanha, 67,9 por cento da população tem a vacinação contra a covid-19 completa e 70,4 por cento, pelo menos, recebeu a primeira dose. Durante semanas, nenhum progresso notável foi realizado para o país alcançar a imunidade de grupo, facto que foi amplamente atribuído à resistência de parte da população à vacinação.
Este sábado, as autoridades de saúde alemãs registaram uma incidência semanal de 362,2 infeções pelo novo coronavírus por 100 mil habitantes, o que representa o nível mais alto desde o início da pandemia, segundo os últimos dados do Instituto Robert Koch (RKI). Na semana passada, a incidência semanal foi de 277,4 e no mês passado foi de 80,4.
O número de infeções também tende a aumentar e nas últimas 24 horas foram registados 63.924 novos contágios pelo SARS-CoV-2, 18.843 a mais em relação há uma semana. Há a registar ainda um total de 248 óbitos de causas relacionadas com a doença covid-19 nas últimas 24 horas, mais 20 do que há uma semana.