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Covid-19 "pode nunca vir a desaparecer". Os alertas da OMS sobre o novo coronavírus
A Organização Mundial da Saúde avisa que o novo coronavírus “pode nunca vir a desaparecer” e tornar-se um “vírus endémico”. O organismo alerta ainda para os perigos de uma crise global de saúde mental causada pela pandemia.
Numa altura em que vários países levantam ou se preparam para levantar algumas das restrições impostas durante os últimos meses, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta contra os efeitos negativos de se tentar prever quanto tempo o coronavírus vai continuar a circular, até porque pode nem vir a ser erradicado.
O responsável alerta ainda que não deve haver “promessas nem datas”, sublinhando que a Covid-19 pode ou não tornar-se num problema de longo prazo, como por exemplo o VIH-SIDA.
“O VIH não desapareceu, mas conseguimos enfrentar o vírus”, acrescentou o responsável durante um briefing.
Nesta altura há mais de 100 potenciais vacinas que estão a ser desenvolvidas contra o novo coronavírus e algumas já estão em fase de testes. Mas nem a vacina eficaz poderá representar o fim da doença. Michael Ryan dá o exemplo do sarampo, que não deixou de existir apesar da vacina.
O novo coronavírus já provocou mais de 296 mil vítimas mortais em todo o mundo e infetou mais de 4,3 milhões de pessoas. Mais de metade da população mundial esteve sob confinamento, mais ou menos restrito, desde janeiro.
Crise global da saúde mental
A Organização Mundial da Saúde alerta ainda para os efeitos nefastos da atual pandemia na saúde mental. O secretário-geral António Guterres apelou aos governos e autoridades de saúde para que enfrentem também essa consequência da Covid-19.
Numa mensagem de vídeo, o responsável aponta para “décadas de esquecimento e falta de investimento na saúde mental”, alertando que as famílias e comunidades estão agora expostas a “stress adicional”.
#COVID19 is not only attacking our physical health; it is also increasing psychological suffering.
— António Guterres (@antonioguterres) May 14, 2020
Mental health services are an essential part of all government responses to #coronavirus.
They must be expanded and fully funded.https://t.co/AOoxqkMJBb pic.twitter.com/j0KpYfPNkF
“A dor na perda de entes queridos, o choque com a perda de empregos, o isolamento e as restrições de movimento, a dificuldade nas dinâmicas familiares e a incerteza e medo sobre o futuro” são alguns dos exemplos dados por António Guterres.
Para o secretário-geral das Nações Unidas, a prioridade passa por ajudar quem está na linha da frente, ou seja, os profissionais de saúde, mas também os mais velhos, crianças, adolescentes, jovens e pessoas com problemas de saúde mental pré-existentes.
António Guterres alerta para a situação de adultos mais velhos e pessoas com problemas de saúde anteriores à pandemia que “estão aterrorizados e sozinhos” em isolamento, mas também para o stress acrescido para as famílias, sobretudo crianças e adolescentes, com mais situações de abuso, escolaridade interrompida e “incerteza sobre o futuro”.
“Ainda que a crise do Covid-19 seja, em primeira instância, uma crise de saúde ao nível físico, tem também as sementes de uma enorme crise de saúde mental, se nada for feito", alerta um relatório da ONU publicado na quarta-feira.
Devora Kestel, chefe do departamento de saúde mental da OMS, reconhece os impactos profundos da crise pandémica e apela a uma ação urgente e prioritária nesta área.
“O isolamento, o medo, a incerteza, a turbulência económica: todas estas situações podem causar sofrimento ao nível psicológico”, refere a responsável, acrescentando que se pode esperar um agravamento nos problemas de saúde mental se não forem adotadas medidas urgentes.