CPLP está aquém do idealizado, diz deputado José Fernando Oliveira, filho do criador da organização
Lisboa, 23 Jan (Lusa) - A CPLP está aquém do que foi idealizado e Portugal e Brasil têm o "dever histórico" de lutar pela sua afirmação, defendeu hoje o deputado brasileiro José Fernando Aparecido de Oliveira, filho do principal impulsionador da organização.
"A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa vai corresponder (ao que o pai idealizou). Não tenho dúvida", disse numa entrevista à Agência Lusa José Fernando Aparecido de Oliveira, deputado federal e presidente da sub-comissão especial no Congresso brasileiro para a CPLP.
José Fernando Aparecido de Oliveira está em Lisboa no âmbito de uma homenagem que foi prestada esta semana ao seu pai, o ex-embaixador do Brasil em Portugal José Aparecido de Oliveira, que faleceu em 2007 e foi o principal promotor das iniciativas que levaram à fundação da CPLP em 1996.
O deputado federal admitiu que não se revê na actual CPLP, mas mostrou-se confiante nos progressos da organização.
"Estamos a caminhar para isso. Fiquei surpreendido com o novo secretário executivo (Domingos Simões Pereira), está a fazer um trabalho que honra todos nós. Tenho a certeza que em 2009 vamos avançar muito", sublinhou.
Questionado sobre o que falhou durante estes 12 anos de CPLP, José Fernando Aparecido de Oliveira disse não querer "pôr o dedo na ferida".
"Podíamos ter avançado mais na sua criação se não fossem questões menores. Mas temos de olhar para a frente. Temos de refundar o Instituto de Internacional de Língua Portuguesa e integrar universidades", acrescentou.
Afirmando que o Brasil conhece "muito pouco" a CPLP, o deputado garantiu que a organização está entre as prioridades do Governo brasileiro.
"O Presidente Lula entende a Comunidade e colocou-a dentro das suas prioridades", afirmou.
José Fernando Aparecido de Oliveira defendeu ainda que Portugal e Brasil têm o "dever histórico" de promover mais acções com vista à evolução da CPLP.
"Brasil e Portugal têm o dever de prestar trabalho de educação para países africanos. Portugal deve ter uma acção maior no intercâmbio cultural e educacional. Com o novo acordo ortográfico, deve desenvolver com o Brasil uma série de acções", afirmou.
No entanto, admitiu que o Brasil tem "a maior responsabilidade" nesse domínio, "uma vez que dos 250 milhões de falantes (de português), 190 milhões estão nesse país".
Referindo-se ao trabalho desenvolvido pela sub-comissão especial para a CPLP, a que preside no Congresso brasileiro, o deputado indicou que pretende instalar em breve um "guichet" especial para os cidadãos da CPLP em todos os aeroportos do Brasil.
"Vamos também promover um Fórum da Lusofonia que vai ser dividido em quatro painéis: o Instituto Internacional da Língua Portuguesa, educação, a assembleia parlamentar dos países de língua portuguesa e questões comerciais", indicou.
José Fernando Aparecido de Oliveira disse ainda que o seu trabalho "não é a continuação" do legado do seu pai, mas a "reafirmação" das suas ideias.
"O que o meu pai propôs na época com o Presidente Itamar Franco (do Brasil) e Mário Soares foi dar forma a uma comunidade que já existia. Temos de a ampliar, lutar para que a comunidade possa ter mais visibilidade", disse.
Sobre a criação da CPLP, o deputado recordou uma época de "boas memórias".
"Foi um período fantástico nas nossas vidas. O meu pai fez da CPLP a grande missão da sua vida pública. Foi uma grande paixão dele e eu fiquei muito apaixonado também", afirmou.
José Fernando Aparecido de Oliveira disse ainda que a memória do seu pai, enquanto promotor da CPLP, "nunca foi perdida" por o ex-embaixador ter sido afastado do processo de liderança da criação daquela organização.
"É natural que questões políticas se sobreponham aos interesses maiores. Compreendo isso de forma tranquila. Não tenho que ficar a chorar sobre ruínas. Temos é de fazer o trabalho que a comunidade precisa. As questões menores, sejam do ex-Presidente Fernando Henrique, sejam de outros, são menores. Já os perdoei e o meu pai já os perdoou. Temos de olhar para a frente", concluiu.
MCL.