Crimeia faz caminho de regresso à Rússia e agita águas do Mar Negro

O Kremlin prepara-se para dar um sinal de apoio à vontade manifesta no território da Crimeia, depois de os ucranianos da região se terem pronunciado em referendo este fim de semana a favor da anexação do território à Rússia. É mais um ingrediente que entra no caldeirão que está a mexer com as sensibilidades internacionais, com União Europeia e Estados Unidos a recusarem legitimidade ao processo de escolha da península da Ucrânia afeta a Moscovo. Bruxelas acenou já esta segunda-feira, no início da reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros, com um segundo pacote de sanções, que poderá visar figuras russas importantes nos negócios.

RTP /
Sergei Karpukhin, Reuters

As autoridades da Crimeia já fizeram seguir para Moscovo o pedido de junção à Rússia: “[O Parlamento da Crimeia] remeteu à Federação Russa o pedido para que a República da Crimeia seja aceite como sua parte integrante com o estatuto de república”.

Mas o tabuleiro diplomático ultrapassa esse eixo direto entre o Kremlin e o Mar Negro. O braço-de-ferro acentua-se entre Moscovo e Bruxelas/Washington, com uma promessa do vice-presidente do Parlamento russo de que a câmara baixa votará amanhã uma declaração de apoio aos resultados do referendo, que se cifraram num claro 96,6% de apoio à separação da Ucrânia e pedido de anexação à Rússia.

Também para esta terça-feira está prevista uma intervenção do próprio Presidente Vladimir Putin na Duma. “O discurso do Presidente Putin está previsto para as 15 horas [locais; 11:00 GMT]”, avançou o vice-presidente Ivan Melnikov, citado pela agência Interfax.O vice-Presidente norte-americano, Joe Biden, viaja na próxima semana para a Polónia e a Lituânia, onde deverá apalpar terreno e discutir com os aliados na região a intervenção militar russa na península da Crimeia.

Para já, também a Crimeia quis deixar uma mensagem firme de que o processo de separação da Ucrânia está em andamento e é imparável.

O presidente do Parlamento fez saber que as unidades militares ucranianas estacionadas na península vão ser desmembradas: “As unidades vão ser dissolvidas. Esses [militares] que quiserem permanecer e viver aqui, poderão fazê-lo. Depois iremos examinar a questão daqueles que querem prestar juramento [às novas autoridades]”, explicou Volodymyr Konstantinov.

A resposta de Kiev assumiu a forma da convocatória de 40 mil reservistas através de um decreto presidencial que visa reforçar as hostes do exército, face a esse cenário cada vez mais real da secessão do seu território no Mar Negro.

A pressão internacional deverá igualmente fazer-se intensificar em relação à Rússia. Numa primeira fase, a União Europeia suspendeu a negociação para a isenção de vistos com a Rússia, decisão que antecipava a sanções de carácter económico contra Moscovo.

Esta segunda-feira está agendada uma reunião do Conselho de Negócios Estrangeiros, onde os ministros dos Negócios Estrangeiros terão em cima da mesa o dossier da Crimeia e esse novo pacote de sanções dirigido a dezenas de cidadãos russos e ucranianos.
PUB