Crimes do "mensalão" não vão prescrever

O Procurador-geral da República (PGR) do Brasil, António Fernando de Souza, garantiu hoje que não há quaisquer possibilidades de os crimes do caso "mensalão" prescreverem, segundo o portal de notícias da Globo.

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"Não vejo nenhuma preocupação. O recebimento da denúncia, por lei, é um acto que interrompe a prescrição", disse o PGR.

António Fernando de Souza disse ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF) analisou a denúncia contra os 40 acusados de envolvimento no "mensalão" num prazo "mais do que razoável" e lembrou que os juízes deram sinais de que pretendem adoptar medidas para agilizar o processo, indica a Globo.

O PGR assegurou também que tem novas provas que vão fortalecer as acusações contra os arguidos, entre elas a comprovação do desvio de dinheiro público.

António Fernando de Souza falava depois de o STF ter decidido processar judicialmente todos os 40 acusados de envolvimento no caso "mensalão", esquema de compra de votos no Congresso Nacional e de desvio de dinheiro público.

Ao comentar a decisão do STF, o Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que tudo aconteceu como deveria num país democrático.

"Houve um processo. Um pedido de indiciamento, Até agora ninguém foi inocentado e ninguém foi condenado", disse.

"Agora o processo começa. Quem tiver culpa vai pagar o preço. Quem não tiver culpa será inocentado. E quem ganhará com tudo isso é a democracia brasileira", disse Lula da Silva, citado pela Globo.

O presidente brasileiro citou ainda os resultados das eleições do ano passado para desvincular-se do julgamento do "mensalão" e acusa a oposição de tentar relacioná-lo ao processo.

O PGR descartou Lula da Silva de qualquer responsabilidade no caso "mensalão" e acusou o ex-chefe da Casa Civil da presidência José Dirceu, como o chefe do núcleo político do esquema.

Em declarações à rádio CNB, o ex-deputado Roberto Jefferson, autor das denúncias sobre o "mensalão" e que será processado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, disse que faltou coragem ao PGR para denunciar o Presidente no esquema do "mensalão".

"Há três ministros envolvidos: a cúpula do partido, o presidente da câmara, o líder do governo na câmara e ele não sabia de nada? Tem de se abrir uma investigação", defendeu.

Por seu lado, os senadores da oposição elogiaram a decisão do STF.

"O Supremo passou a perspectiva de que não há mais impunidade no país", afirmou o líder do DEM, José Agripino Maia, enquanto o presidente da Comissão das Relações Exteriores do Senado, Heraclito Fortes, disse que o "julgamento mostrou que a lei está acima do poder, da arrogância e da prepotência".

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