Criminalidade em Luanda diminuiu, mas pessoas não se sentem seguras
A polícia angolana considera que a criminalidade em Luanda registou uma "diminuição clara" na sequência do reforço do policiamento nas zonas mais problemáticas da capital, mas admite que a população ainda não se sente segura.
"Hoje podemos considerar que o quadro criminal na província de Luanda é estável, embora ainda sintamos por parte da população uma certa insegurança", afirmou Divaldo Martins, porta-voz do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional de Angola.
Divaldo Martins frisou que o balanço diário realizado pelas forças policiais da capital indica "uma diminuição clara do tipo de situações que fazem despoletar o sentimento generalizado de insegurança por parte da população".
Esta alegada melhoria da situação de segurança urbana em Luanda, segundo o porta-voz da polícia na capital angolana, é uma consequência das iniciativas lançadas pela corporação para "combater os focos de delinquência em todos os municípios de Luanda e transmitir um maior sentimento de segurança ás populações".
"Este conjunto de medidas incidiu principalmente no reforço do policiamento nas zonas consideradas mais críticas, nomeadamente nas áreas com pouca iluminação pública e nos bairros mais degradados", afirmou.
Segundo Divaldo Martins, as forças policiais estão a dar uma especial atenção à posse de armas de fogo, estando a ser feito um levantamento da situação actual.
Para o porta-voz da polícia, é necessário intensificar o controlo das armas nas unidades policiais e militares, para evitar que elas venham para a rua sem estarem nas mãos de elementos em serviço.
Por outro lado, as forças policiais estão também a aumentar as investigações relacionadas com o aluguer de armas em Luanda, um negócio a que, alegadamente, recorrem os bandos de jovens delinquentes sempre que preparam alguma acção criminosa.
Divaldo Martins salientou ainda que a polícia "tem constatado" a utilização de jovens em actividades criminosas promovidas por adultos.
"Um jovem de 12 anos tem pela frente um período de quatro anos de actividade antes de poder ser criminalmente imputável", frisou o porta-voz policial, justificando o aumento do número de crianças e jovens envolvidos em actos criminosos nas ruas de Luanda.
O roubo de telemóveis é o crime mais praticado nas ruas da capital angolana, especialmente ao final da tarde, sendo muitas as pessoas que evitam atender telefonemas na rua para evitar os assaltos.
Na semana passada, a Polícia Nacional de Angola anunciou ter desmantelado 12 grupos de delinquentes que actuavam em Luanda, no âmbito de uma operação que culminou com a detenção de 244 pessoas.
Os indivíduos detidos têm idades entre os 16 e os 27 anos e integravam grupos de delinquentes que actuavam em vários bairros da capital angolana.
Estes grupos dedicavam-se ao roubo de telemóveis e jóias nas ruas da capital angolana, organizando-se os assaltantes em bandos de quatro a seis elementos, que actuavam armados.