Criminalidade urbana faz aumentar empresas de segurança em Luanda
O aumento da criminalidade urbana em Luanda provocou um crescimento significativo das empresas privadas de segurança, que já contam com cerca de 25 mil efectivos, a quem foram distribuídas mais de 7.600 armas de diversos calibres.
Os dados oficiais da Polícia Nacional de Angola referem que existem em Luanda 307 empresas privadas de segurança, das quais 140 estão devidamente legalizadas, enquanto as restantes 167 ainda têm os processos de licenciamento em curso.
Nas ruas dos principais bairros residenciais da capital angolana é frequente ver um ou dois guardas privados à porta das casas, mas os efectivos destas empresas também são responsáveis pela segurança de instalações oficiais ou de simples lojas comerciais.
Para satisfazer o aumento da procura, as 140 empresas de segurança legalizadas que existem em Luanda contam com um total de 24.583 efectivos, que possuem 7.638 armas de diversos tipos e calibres.
Relativamente às empresas que ainda não concluíram os seus processos de licenciamento, os dados policiais referem que contam com 11.132 efectivos, com 4.449 armas diversas.
No total, estas 307 empresas possuem um efectivo de 35.715 homens, a quem foram distribuídas 12.087 armas.
Numa recente reunião com responsáveis das empresas de segurança privada, o novo director nacional da Ordem Pública da Polícia Nacional, Lisboa Santos, manifestou preocupação com o tipo de armas que são utilizadas pelos efectivos destas empresas.
Para o responsável policial, é necessário que o armamento utilizado pelas empresas de segurança "respeite o quadro jurídico em vigor" no país, deixando implícito que, em alguns casos, as armas dos guardas privados não são permitidas por lei.
Nesse sentido, Lisboa Santos revelou que a Policia Nacional está a realizar um estudo sobre os equipamentos utilizados pelas empresas privadas de segurança, que também inclui uma análise dos sistemas de vigilância que são postos em prática.
Por outro lado, o director nacional de Ordem Pública defendeu que "os meios postos à disposição dos efectivos das empresas de segurança devem ser compatíveis com o seu nível de formação e com a sua capacidade de manuseamento".
Esta preocupação surge poucas semanas depois de um juiz do Tribunal Provincial de Luanda ter revelado que os guardas de segurança privada são um dos principais grupos envolvidos nos processos judiciais por uso de armas de fogo.
O magistrado, depois de salientar que aquele tribunal tem para julgar um elevado número de processos relacionados com a utilização de armas de fogo, salientou que a maior parte desses processos diz respeito a crimes cometidos por desempregados, delinquentes, ex- militares e guardas de empresas privadas de segurança.