Crise em Ceuta. "Hoje foi Espanha, amanhã pode ser qualquer outro País", avisa António Vitorino

Crise em Ceuta. "Hoje foi Espanha, amanhã pode ser qualquer outro País", avisa António Vitorino

Uma semana depois da entrada massiva de migrantes na cidade espanhola de Ceuta, o antigo diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações, António Vitorino, encara o que aconteceu como uma "grave crise", que exige uma ação conjunta. O agora presidente do Conselho Nacional para as Migrações e Asilo lamenta, em entrevista à Antena 1, a reação de alguns Estados-Membros, que apelida de "completamente desproporcional".

Rita Soares - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Fotos: Reuters

É com muita preocupação que António Vitorino olha para Ceuta. Em entrevista à Antena 1, o antigo diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações lembra, no entanto, que a União Europeia não pode dizer que foi surpreendida porque há precedentes e alguns muito recentes, o que prova que as autoridades competentes não podem e não devem baixar a guarda.

Agora, considera o antigo comissário europeu, e tendo por base o que a História pode ensinar, é fundamental que os Estados-Membros da União Europeia se unam e falem a uma só voz.

É também essa a expectativa de António Vitorino para a reunião extraordinária de hoje, ao início da tarde, dos eurodeputados da Comissão das Liberdades Cívicas e dos Assuntos Internos. O momento que se vive em Ceuta não pode ser alvo de aproveitamento político, reitera o presidente do Conselho Nacional para as Migrações e Asilo porque "hoje foi Espanha, amanhã pode ser qualquer outro País".

A mobilização europeia tem de se concentrar em apoio financeiro e logístico a Espanha para que o País consiga gerir o impacto da crise.

António Vitorino apela a um esforço global de meios, nomeadamente através do reforço da Frontex - a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, que "existe precisamente para estas situações de emergência".

Na leitura do antigo comissário europeu, também é essencial preservar a saúde das relações diplomáticas entre Espanha e Marrocos.

António Vitorino admite que houve falhas do lado das autoridades marroquinas ao não "conterem o fluxo" de migrantes, mas recusa quaisquer "teorias da conspiração" e recorda que só o diálogo entre ambos os Estados pode permitir a gestão adequada das fronteiras de Ceuta e da Europa.

Nesta entrevista à Antena 1, António Vitorino destaca a urgência humanitária dos menores não acompanhados que continuam em Ceuta, mas também dos cidadãos que vieram de países como a Eritreia ou o Sudão.

Essas pessoas, contextualiza, chegam de Estados "onde não há garantias de liberdade e onde podem existir pedidos legítimos de asilo". O antigo comissário europeu explica que cabe a Espanha avaliar cada caso.
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