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Cuba tem sido alvo de atos de sabotagem em meio de tensões com EUA, diz embaixador cubano

Cuba tem sido alvo de atos de sabotagem em meio de tensões com EUA, diz embaixador cubano

 O embaixador cubano em Lisboa disse hoje que Cuba tem sido alvo de uma nova onda de "tentativas de sabotagem", num momento em que Havana atravessa "momentos difíceis na relação com os Estados Unidos".

Lusa /

"Há um histórico de tentativas de sabotagem, de atentados nos 67 anos da Revolução, isso já é algo que não nos surpreende", disse José Ramón Saborido Loidi em entrevista à Lusa.

Em 25 de fevereiro, Cuba intercetou e atacou uma lancha rápida, registada no estado norte-americano da Florida, com dez pessoas armadas com espingardas de assalto e equipamento militar a bordo.

Questionado sobre se existem tentativas de derrubar o Governo de Havana ou de causar instabilidade em Cuba, o embaixador respondeu de forma categórica: "Esse é o objetivo, sem dúvida".

"Essa é uma parte da história da nossa luta", e "este é mais um facto, num momento em que atravessamos momentos difíceis em relação aos Estados Unidos", apontou.

"A lancha, que partiu dos Estados Unidos, da Florida, levava dez pessoas, todas elas já foram apresentadas. Na ação, morreram quatro das pessoas que estavam no barco e um oficial, que era o chefe do barco de Cuba, ficou ferido. Tudo foi exposto na televisão, as provas foram apresentadas", disse.

Numa das primeiras reações ao incidente, o Governo de Havana descreveu o incidente como "uma tentativa de infiltração com fins terroristas".

"O que acontece é que Cuba sempre esteve atenta a essa situação e, neste caso, o problema foi detetado e resolvido", continuou José Ramón Saborido Loidi.

Na terça-feira, dez cidadãos do Panamá foram detidos por terem realizado "ações de propaganda" contra o Governo.

As ações ocorreram no sábado, apenas três dias depois dos acontecimentos que envolveram os incidentes com a lancha rápida.

"O caso dos panamianos é muito recente, foram divulgadas informações, até agora, penso eu, as que puderam ser divulgadas, isso deve estar em processo de investigação", comentou o embaixador.

O Ministério do Interior cubano afirmou num comunicado que estes panamianos foram "enviados para Cuba com o objetivo de produzir cartazes com conteúdos de cariz subversivo, contrários à ordem constitucional" e que depois de atingirem o seu objetivo deveriam receber uma quantia em dinheiro que, de acordo com as suas primeiras declarações, deveria oscilar entre 1.000 e 1.500 dólares".

Em janeiro, após a captura pelos Estados Unidos do líder venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Havana, Cuba perdeu o acesso ao petróleo venezuelano e o Presidente norte-americano, Donald Trump, ordenou a imposição de tarifas aos países que fornecem petróleo à ilha caribenha, agravando a pior crise económica e social que o país vive desde 1959.

A tensão entre os dois países tem aumentado desde o novo embargo petrolífero.

O Gabinete de Direitos Humanos da ONU assinalou que o bloqueio dos Estados Unidos viola a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional, além de provocar o desmantelamento do sistema alimentar, sanitário e de abastecimento de água na ilha.

Esta foi uma entrevista à Lusa, cujas restantes declarações sobre o impacto do embargo petrolífero norte-americano e as implicações no setor do Turismo serão publicadas na quinta-feira.

 

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