Cubano não verá "nuvens carregadas de Trump", diz ex-PR do Brasil
Brasília, 26 nov (Lusa) - O ex-Presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje que Fidel Castro, líder histórico cubano falecido na sexta-feira, não presenciará as "nuvens carregadas de [Donald] Trump", eleito presidente dos Estados Unidos.
"Do desprezo altaneiro aos Estados Unidos, Cuba passou a sentir que com [Barack] Obama poderia romper o seu isolamento. As nuvens carregadas de Trump não serão presenciadas por Fidel", comentou, numa mensagem publicada na rede social Facebook.
A morte de Fidel Castro, continuou, "marca o fim de um ciclo, no qual, há que se dizer que, se Cuba conseguiu ampliar a inclusão social, não teve o mesmo sucesso para assegurar a tolerância política e as liberdades democráticas".
Fernando Henrique Cardoso, que governou o Brasil de 1995 a 2002, recordou "o papel que ele [Fidel] e a revolução cubana tiveram na difusão do sentimento latino-americano e na importância para os países da região de se sentirem capazes de afirmar seus interesses".
"A luta simbolizada por Fidel dos ?pequenos` contra os poderosos teve uma função dinamizadora na vida política no continente", vincou.
O antigo chefe de Estado frisou que "o governo brasileiro opôs-se a todas as medidas de cerceamento económico da ilha e, desde o governo [de José Sarney] até hoje as relações económicas e políticas entre o Brasil e Cuba fluíram com normalidade".
Entretanto, o presidente do seu Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Aécio Neves, grande derrotado nas presidenciais de 2014, comentou que "Fidel Castro foi sem dúvida um dos grandes líderes do nosso tempo".
"Afável no trato e eloquente com qualquer interlocutor, deixa o legado do sonho por uma sociedade igualitária, mas na prática não permitiu avanços na direção das liberdades e da democracia e, infelizmente, deixa um país e um povo ainda extremamente pobres e dependentes", acrescentou.
Em nota, o ex-Presidente José Sarney, que governou de 1985 a 1990, contou que conheceu "o mito", ao referir-se a Fidel Castro, e lembrou que foi "o primeiro chefe de Estado a propor a sua entrada na OEA [Organização dos Estados Americanos] e a criticar o embargo americano".
O ex-chefe de Estado do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o mesmo do atual Presidente, Michel Temer, disse que Fidel Castro "promoveu uma revolução romântica que, com Che Guevara e Camilo Cienfuegos [outros revolucionários cubanos], apaixonou a juventude do mundo inteiro".
"Ele pertence agora à História, com a densidade que o coloca entre os maiores líderes da América Latina, junto de Bolívar, San Martin e Tiradentes", rematou, fazendo referência a figuras que lutaram pela independência de vários países da América Latina.
O deputado e líder do movimento de extrema-direita brasileiro, Jair Bolsonaro, comentou, no vídeo colocado no Facebook, que Fidel Castro "está ardendo nas profundezas do inferno".
O histórico líder cubano foi "um grande exterminador de liberdades e promotor da miséria", acrescentou o parlamentar, que tem proferido declarações sexistas, racistas e homofóbicas e que gerou polémica ao homenagear um torturador da ditadura militar brasileira ao votar a favor do afastamento da ex-Presidente Dilma Rousseff.
Fidel Castro morreu na noite de sexta-feira e as suas cinzas serão enterradas a 04 de dezembro, após nove dias de luto nacional.