Curdos sírios consideram insuficiente decreto sobre os seus direitos

Os curdos da Síria afirmaram hoje que o decreto presidencial, publicado na véspera, que torna o curdo uma língua oficial e garante a essa minoria direitos nacionais, foi um primeiro passo, mas ainda é insuficiente.

Lusa /

O decreto do Presidente Ahmad al-Sharaa, constitui "um primeiro passo, mas não satisfaz as aspirações e as esperanças do povo curdo", declarou em comunicado a administração curda do norte e do nordeste da Síria.

Os direitos devem ser protegidos "por constituições de caráter permanente que expressam a vontade do povo e de todos os seus componentes", e não por "decretos temporários", acrescenta o comunicado.

Na sexta-feira à noite, o Presidente interino da Síria, Ahmad al-Sharaa, concedeu direitos nacionais aos curdos, incluindo o reconhecimento oficial da língua curda, numa altura em que o exército sírio está envolvido em combates com as forças curdas no norte.

Num decreto emitido na noite de sexta-feira, al-Sharaa proclama o curdo como "língua nacional", que pode ser ensinada nas escolas públicas em áreas onde esta minoria tem uma forte presença.

Estabeleceu também o `Nowruz`, o Ano Novo Curdo celebrado a 21 de março, como feriado oficial.

O texto também concede nacionalidade aos curdos, cerca de 20% dos quais tinham sido privados da cidadania após um controverso recenseamento em 1962.

"Os cidadãos curdos sírios são uma parte essencial e autêntica do povo sírio, e a sua identidade cultural e linguística é parte integrante da identidade nacional síria", afirma o decreto.

Os curdos sofreram décadas de marginalização e opressão por regimes anteriores na Síria.

Esta minoria aproveitou o caos da guerra civil (2011-2024) para conquistar vastos territórios no norte e nordeste da Síria - incluindo campos de petróleo e gás - após derrotar o grupo extremista Estado Islâmico (EI) com o apoio de uma coligação multinacional.

O anúncio do Presidente sírio surge enquanto as forças armadas estão envolvidas em combates com as forças curdas numa zona do norte do país, depois de as ter desalojado da cidade de Alepo na semana passada.

As negociações para implementar um acordo assinado em março de 2025 entre Damasco e os curdos, com o objetivo de integrar as suas instituições civis e militares no Estado sírio, encontram-se atualmente num impasse.

 

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