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Dados da ONU. Número de civis mortos mais do que duplicou em 2025 no Sudão

Dados da ONU. Número de civis mortos mais do que duplicou em 2025 no Sudão

O número de civis mortos na "guerra suja" que assola o Sudão há quase três anos mais do que duplicou em 2025, lamentou hoje o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.

Lusa /

O ano de 2025 registou "um aumento de mais do que duas vezes e meia no número de civis mortos comparado com o ano anterior", sem contar com os desaparecidos e os corpos não identificados, disse Türk perante o Conselho de Direitos Humanos reunido em Genebra.

Os combates entre o exército e as Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) intensificaram-se no ano passado, com um recurso crescente a `drones` de longo alcance e bombardeamentos que atingiram "escolas, hospitais ou locais de culto" em zonas povoadas, lamentou.

"Esta guerra é suja, sangrenta e insensata", disse Türk apontando a responsabilidade de ambos os lados, que até agora rejeitaram qualquer trégua, e dos "patrocinadores estrangeiros" que alimentam "por ganância" um conflito "de alta tecnologia". As atrocidades perpetradas pelo exército e pelos paramilitares incluem violência sexual, execuções sumárias e detenções arbitrárias, afirmou.

O Alto Comissário apontou em particular para a "carnificina" perpetrada em Darfur pelas RSF em abril de 2025 durante o seu assalto ao campo Zam Zam para deslocados, e depois em outubro de 2025 durante a ofensiva em Al-Fashir, o último reduto do exército nesta vasta região ocidental.

De ambos os lados, "os corpos de mulheres e raparigas sudanesas foram usados como armas para aterrorizar comunidades", com mais de 500 vítimas de violação, tortura sexual e escravatura sexual, por vezes resultando em morte, afirmou.

Türk referiu a "preocupante escalada de ataques e bloqueios com drones" imposta pelas RSF e pelo exército em Kordofan, uma região vizinha do Darfur, que está agora no centro dos combates e onde desde 01 de janeiro já morreram e ficaram feridos quase 600 civis.

Os `drones`, especialmente os das RSF, visaram "infraestruturas vitais, nomeadamente centrais elétricas, barragens e depósitos de combustível", agravando as condições de vida dos civis.

Ao mesmo tempo, "os ataques direcionados ao pessoal de saúde, aos comboios humanitários e aos abastecimentos alimentares --- todos protegidos pelo direito internacional --- cortam as últimas boias de salvação e agravam uma das crises humanitárias mais graves do mundo", lamentou.

Türk mostrou-se, ainda, preocupado com os ataques de ambos os lados contra jornalistas, dissidentes e defensores dos direitos humanos, apontando "a crescente militarização da sociedade, com o recrutamento de crianças e jovens" e criticando "a lógica do lucro de quem conduz a guerra" e de "quem tira proveito de um conflito por procuração para obter recursos".

Tal como nas suas intervenções anteriores, apelou "a impedir as entregas de armas em todo o território sudanês" e a respeitar o embargo de armas no Darfur.

Apesar dos progressos rápidos prometidos pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, a mediação internacional liderada pelo grupo Quad [Estados Unidos, Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos] está estagnada, reconheceu na semana passada o enviado dos EUA Massad Boulos.

Os Emirados foram várias vezes acusados de fornecer homens e armas às RSF, o que negam veementemente. O exército utilizou `drones` fornecidos pelo Irão e as RSF denunciaram ataques vindos de "um país vizinho", apontando implicitamente o Egito, que negou qualquer interferência.

O Sudão está entre os países mais pobres do mundo, mas possui um subsolo rico em ouro e petróleo, terras férteis irrigadas pelo Nilo e os seus afluentes, bem como mais de 800 km de costa no Mar Vermelho.

Desde 15 de abril de 2023, o Sudão está mergulhado numa guerra devastadora entre o exército e as RSF, que provocou a maior crise humanitária do mundo com cerca de 34 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda, das quais 17 milhões são crianças.

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