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Deceções à direita, expectativas à esquerda. Sem maioria absoluta, Espanha fica em impasse político

Deceções à direita, expectativas à esquerda. Sem maioria absoluta, Espanha fica em impasse político

Espanha foi a votos no domingo dando mais confiança aos conservadores do Partido Popular, mas sem garantir maioria absoluta com o VOX, como perspetivavam as sondagens. Sem grandes margens de diferença entre esquerda e direita, os cenários sobre quem liderará o próximo Governo espanhol estão em aberto. A incerteza política no país reflete-se na imprensa espanhola, esta segunda-feira, que aponta a deceção da direita e a expectativa de que Pedro Sánchez possa manter-se como primeiro-ministro.

Inês Moreira Santos - RTP /
Angeles Visdomine - EPA

Os resultados das eleições gerais em Espanha dificultam a formação de um Governo, uma vez que nem o bloco de direita nem o de esquerda conseguiram a maioria absoluta.

O PP, liderado por Alberto Núñez Feijóo, venceu as eleições ao conseguir 136 deputados, seguido do PSOE, de Pedro Sánchez, com 122. Já o VOX, presidido por Santiago Abascal Conde, ficou em terceiro lugar com 33 lugares e o Sumar em quarto com 31 lugares. O bloco da direita ficou na frente com 169 lugares contra 153 da esquerda, ou seja, uma diferença de 16 deputados. No entanto, nenhum tem o número de deputados necessário (os 176) para obter a maioria absoluta deixando o país num impasse político.

“PP vence mas a resistência de PSOE e Somar frustra a sua maioria com o VOX e deixa o governo no ar”, destaca o diário El Pais, esta segunda-feira, disponibilizando uma “calculadora de alianças” no parlamento, numa indicação das muitas negociações que poderão ser necessárias para conseguir formar o próximo Governo de Espanha.

Nas últimas semanas, as sondagens apontavam para uma possível maioria absoluta do PP com o VOX, mas o partido de extrema-direita perdeu 19 deputados e os 33 que elegeu não são suficientes para alcançar os 176 para o bloco de direita garantir o Governo. E como o mesmo diário realça, num outro artigo, "Feijóo não corresponde às expectativas, mas reivindica o direito de governar”.

Noutro destaque, o jornal dá ainda conta de que o líder do VOX Santiago “Abascal responsabiliza Feijóo pelo ‘fracasso da alternativa’ ao desmobilizar a direita”.

Em reações mais à esquerda, o El País realça que o “PSOE renasce das cinzas do 28-M para melhorar o resultado de 2019”, referindo-se à derrota socialista nas municipais de maio, e que “Somar agarra-se a um possível restabelecimento do governo de coligação”.
Sánchez mantém liderança
Na imprensa espanhola há ainda quem destaque a espectativa de o PSOE conseguir manter-se na liderança do Governo. O diário El Mundo titula “Feijóo ganha as eleições mas Puigdemont poderá fazer Pedro Sánchez presidente”, referindo-se ao dirigente catalão demitido pelo governo espanhol em 2017, por ter tentado proclamar um sistema republicano na Catalunha.

"O Partido Popular tem vencido nas urnas mas muito longe da barra da maioria absoluta e bem abaixo das expectativas que vem acalentando desde o passado 28-M varreu as eleições municipais e regionais. O PSOE , por sua vez, tem resistido mostrando muita força e até melhorando o resultado obtido há quatro anos", lê-se no artigo.

“O triunfo foi amargo para o PP e a derrota foi doce para o PSOE”, diz também o mesmo jornal, acrescentando, noutro artigo, que “Sánchez poderá regressar ao governo através de uma nova aliança de derrotados e com a aquiescência - sob a forma de abstenção - do Junts, o partido do fugitivo Carles Puigdemont”.

"Vitória amarga, triunfo estéril. O PP recuperou o primeiro lugar nas eleições gerais ontem à noite em votos e cadeiras, mas as suas expectativas de recuperar a Moncloa morreram na ponta das urnas às oito da noite", escreve ainda.

No editorial, o diário fala num “cenário incerto com o país nas mãos de Puigdemont e Bildu”, recordando que nunca um partido que perdeu as eleições governou em Espanha.

No mesmo sentido, o ABC escreve também que “Feijóo vence, mas Sánchez pode governar se for apoiado por Puigdemont”.

No editorial com o título “A Espanha na sua maior incerteza”, o diário destaca que “contrariamente a quase todas as previsões, o resultado eleitoral frustra as expectativas do bloco conservador e torna improvável uma alternativa ao governo de Pedro Sánchez”.

“Feijóo vence mas não chega à Moncloa e Sánchez precisaria de Junts para ser investido”
é o título em destaque no La Vanguardia, que acrescenta ainda que o líder do PP tentará formar Governo e que Sánchez “resiste ao tsunami das direitas”.

O catalão La República destaca que “Independentismo volta a ser crucial: Junts e ERC têm a chave para eleger Sánchez presidente”.
Sánchez precisa de garantir apoio

O partido Juntos pela Catalunha (JxCat) conseguiu sete lugares no Congresso espanhol, mas avisou não vai apoiar Pedro Sánchez para o cargo de primeiro-ministro "a troco de nada".

A prioridade do partido "é a Catalunha" e não "a governabilidade do Estado", afirmou a cabeça de lista Míriam Nogueras, em conferência de imprensa, na sede eleitoral do partido, ao lado da presidente, Laura Borràs, e do secretário-geral, Jordi Turull.

Nogueras acrescentou que se está a abrir "uma nova etapa para a mudança e recuperar a unidade" pró-independência.

"Não nos vamos mexer nem um milímetro porque temos memória. Sánchez tem muitos assuntos pendentes com a Catalunha", salientou.

O JxCat obteve um total de sete lugares, três em Barcelona, dois em Girona, um em Tarragona e um em Lleida, decisivos na formação do novo Governo espanhol.

Como explicam os analistas espanhois no El País, embora Alberto Núñez Feijóo tenha vencido as eleições, "a verdade é que Pedro Sánchez poderia voltar a governar formando uma nova aliança de perdedores e com a aquiescência - na forma de abstenção - de Juntos, partido do fugitivo Carles Puigdemont".

Por outro lado, o líder do PP é considerado pelos especialistas políticos como o mais votado "para tentar a investidura em primeiro lugar, mas as suas chances de conquistá-la são praticamente nulas".

La fora, a imprensa internacional destaca também o impasse governativo espanhol. Esta segunda-feira, o Financial Times realça que a Espanha está no "limbo" e destaca a incerteza política do país após o resultado eleitoral em que nenhum dos blocos conseguiu a maioria.

A BBC, por sua vez, subinha que os "Conservadores de Espanha ficam aquém da maioria absoluta".


C/agências
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