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"Decisão estalinista". Tribunal acrescenta mais 19 anos à pena de prisão de Alexey Navalny
Condenado o ano passado a nove anos de prisão por fraude, Alexei Navalny, um dos maiores opositores a Vladimir Putin, aguardava o novo veredicto num processo por “extremismo” e a sentença chega agora: mais 19 anos de cadeia. Ontem, Navalny já afirmava esperar uma pena “longa, estalinista”. Alexey Navalny, condenado o ano passado a nove anos de prisão, é acusado de manter uma organização extremista e estava a ser julgado num novo processo no estabelecimento penitenciário IK-6 de Melekhovo onde cumpre pena, a 250 quilómetros a leste de Moscovo.
Alexey Navalny liderou o Fundo Anticorrupção (FBK), encerrado pelas autoridades russas em 2021, organização que tem desempenhado o papel de mais acérrima oposição a Vladimir Putin, denunciando pormenores da “vida corrupta” que grassa no Kremlin.
Este ativismo político tem valido a Navalny uma perseguição impiedosa e a 20 de agosto de 2020 foi mesmo vítima de envenenamento com um agente nervoso. Encaminhado para um hospital na Alemanha, acabaria por resistir recuperar para regressar em 2021 à Rússia, sendo detido de imediato quando o avião pousou no aeroporto de Moscovo.
No julgamento agora concluído e que decorria à porta fechada desde junho passado as autoridades acrescentaram mais 19 anos à pena de Navalny, que soma já uma pena total de três décadas de prisão. O opositor cumpria entretanto uma sentença de 11 anos e meios por fraude e outras acusações classificadas pelo próprio de ilegítimas.
Na quinta-feira, Navalny revelava não ter qualquer ilusão quanto à decisão do tribunal e apontava o cenário de uma pena “longa, estalinista” para a sentença desta sexta-feira.
“Vai ser um período gigantesco. Uma decisão que se pode chamar de estalinista”, afirmou o ativista político numa mensagem passada aos seus advogados e publicada online na quinta-feira.
“Não é muito importante, porque há ainda o caso de terrorismo. Serão 10 anos ou mais”, comentara já Navalny, alvo de uma acusação de terrorismo num processo separado do qual não são ainda conhecidos os contornos.
Navalny acrescentou no texto, dirigindo-se aos russos, que esta sentença serve “para vos intimidar a vocês, não a mim”, deixando assim um pedido para que continuem a resistir contra a máquina do Kremlin.
“Temos a certeza de que se um em cada 10 indignados com a corrupção de Putin e os seus acólitos saísse às ruas, o governo cairia amanhã. Sabemos com certeza que se aqueles que são contra a guerra saíssem às ruas, iriam pará-la imediatamente”, refere Navalny.
Enfrentando seis acusações criminais, incluindo a criação de uma organização extremista, financiamento e incitação a atividades extremistas, com pedido dos procuradores de 20 anos de prisão, numa declaração final Navalny declarou que “para que um país novo, livre e rico nasça, esse país deve ter pais: aqueles que o querem, aqueles que o esperam e aqueles que estão dispostos a fazer sacrifícios pelo seu nascimento”.
As autoridades russas têm endurecido a repressão em relação aos opositores do regime, particularmente desde a invasão da Ucrânia, prendendo e condenando os opositores ou apontando-lhes o caminho do exílio no estrangeiro.
Em fevereiro, Putin ordenou que o FSB, os serviços de informações russo, subisse o nível sublinhando a necessidade de “identificar e pôr termo às atividades ilegais daqueles que tentam dividir e enfraquecer nossa sociedade” e Alexey Navalny esteve sempre no topo da lista dos opositores que mais incómodo provocam a essa teia de repressão.