Decreto de Trump não teria barrado entrada aos terroristas do 11 de Setembro

Nenhum dos autores dos atentados de 11 de Setembro de 2001 provinha dos países atingidos pelo decreto do novo presidente norte-americano. Os critérios que inspiraram a escolha dos países atingidos pelo decreto estão a suscitar interrogações incómodas para Trump.

RTP /
Brad Rickerby, Reuters

Se os autores do atentado que derrubou as Torres Gémeas se apresentassem hoje num aeroporto norte-americano, continuariam a entrar no país sem qualquer dificuldade: nenhum deles era originário dos países agora incluídos na "lista negra".

Inversamente, nenhum autor de qualquer atentado cometido nos EUA proveio alguma vez dos países colocado no índex de Donald Trump.
Países de origem dos autores do 11 de setembro:
Arábia Saudita
Emiratos Árabes Unidos
Egipto
Líbano

Países atingidos pelo decreto de Trump:
Iraque
Síria
Líbia
Somália
Iémen
Sudão
Irão

A aparente incongruência pede explicações e a Casa Branca tem fornecido algumas, nem sempre convincentes.

Uma invoca a imagem da própria Administração Obama sobre o Norte de África e o Médio Oriente como regiões especialmente convulsionadas e, portanto, propícias ao desenvolvimento de organizações terroristas.

Alguns dos países atingidos pelo decreto não o devem tanto, ou não o devem exclusivamente à sua localização geográfica, mas sobretudo à classificação que lhes fora atribuída pelos serviços de informações norte-americanos como apoiantes institucionais de algum tipo de terrorismo. Nesse caso estaria, por exemplo, o Irão.

No entanto, falta na lista um país como o Paquistão, cujas ligações nem sempre assumidas aos taliban já têm feito recair sobre ele suspeitas norte-americanas, como aliás se viu durante a operação de liquidação de Osama Bin Laden, em Abottabad. A interpretação corrente para esta omissão de monta reside no estatuto do Paquistão como potência nuclear.

Falta especialmente na lista a Arábia Saudita, país de origem de 15 dos 19 autores dos atentados do 11 de Setembro e país com o maior número de apoiantes do Daesh ou da Al Qaeda por quilómetro quadrado que se conheça.

Por acaso ou por azar, como tem referido o Washington Post, a Arábia Saudita é um país com o qual as empresas de Donald Trump mantêm intensas relações comerciais e um país em que o novo presidente aposta para combater a influência iraniana na região. Também nos Emiratos Árabes Unidos e no Egipto Trump conserva importantes negócios. A mesma explicação poderia valer também para a Turquia onde nos últimos meses se tem registado intensa actividade terrorista.
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