Decreto que "demitiu" o gerúndio teve reflexos positivos na administração, diz governador do Distrito Federal
Brasília, 07 Dez (Lusa) - O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, disse hoje à Lusa que o decreto que "demitiu" o gerúndio dos órgãos do governo teve um impacto muito positivo na administração pública.
"As pessoas perceberam que não vão enrolar-me e que é preciso procurar mais eficiência. Houve um impacto positivo do decreto. O resultado foi melhor do que eu esperava", afirmou Arruda, dois meses após a publicação do decreto no Diário Oficial do Distrito Federal (DF).
O texto do decreto diz que "fica demitido o gerúndio de todos os órgãos do governo no Distrito Federal e fica proibido o seu uso para desculpa de ineficiência".
Arruda disse que a ideia de fazer esse decreto nada convencional surgiu devido à sua "angústia com a incompetência do sector público".
O decreto causou polémica entre intelectuais e especialistas em língua portuguesa, que criticaram a "demissão" de um tempo verbal e não do gerúndio, uso abusivo do gerúndio no sentido de se utilizar um conjunto de verbos, cuja acção principal recai na forma do gerúndio.
"Vou poder estar pesquisando o que ele me pediu, mas o laboratório tem que estar funcionando cedo" é um exemplo, de que apesar da "boa vontade" , nada será feito.
A utilização do gerúndio espalhou-se no Brasil pela prática do elemarketing e tornou-se uma moda.
"O problema é mesmo do gerúndio. É uma fórmula nova e, ao mesmo tempo, ultrapassada, de tentar explicar a falta de resultados objectivos", admitiu Arruda.
Na sua opinião, o recurso ao gerúndio é "uma desculpa esfarrapada para encobrir a falta de eficácia".
O governador do DF considera importante a difusão da língua portuguesa no mundo e atribui este trabalho à diplomacia e a uma acção política de todos.
"Já se fez muita coisa, mas é preciso avançar muito mais", concluiu.
CMC.
Lusa/Fim