Demissão no Governo britânico

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Demitiu-se o ministro de Estado britânico para a Europa e as Américas em protesto pela possível vitória de Boris Johnson na corrida pela liderança do Partido Conservador e Governo britânico.

A carta de demissão foi enviada esta segunda-feira à ainda primeira-ministra Theresa May. No documento, que foi publicado no Twitter, Alan Duncan escreveu que é "trágico que quando podíamos ser a força política e intelectual dominante na Europa tenhamos que passar todos os dias a trabalhar sob a nuvem negra do Brexit".


"Estou a demitir-me em antecipação da mudança na quarta-feira. Estou a fazê-lo alguns dias mais cedo para poder expressar livremente a minha opinião antes de [Theresa May] abandonar o cargo", disse, referindo-se à possível vitória de Boris Johnson na corrida à liderança do Partido Conservador e, seguidamente, ao Governo Britânico.

Johnson tem-se afirmado como o favorito à sucessão de Theresa May, com sondagens a provarem uma vitória significativa sobre Jeremy Hunt, o atual ministro britânico dos Negócios Estrangeiros.

Na carta de demissão, Alan Duncan referiu a "forte relação" que conseguiu construir com a Turquia após o golpe de Estado, as negociações com a Rússia e o envolvimento na Ásia Central.

Mencionou ainda o que considera terem sido algumas falhas no seu mandato – a incapacidade de formar acordo sobre o futuro do Chipre e o caso de Zaghari- Ratcliffe, a mulher britânica-iraniana condenada a cinco anos de prisão no Irão por alegada espionagem.

Duncan elogiou também a primeira-ministra cessante, Theresa May, enaltecendo a sua "dignidade irrepreensível e um incansável sentido de dever".

Acrescentou ainda que a primeira-ministra "merecia melhor" e que lamentava que o tempo de May no cargo "tenha terminado" nestas circunstâncias.

A demissão de Duncan poderá não ser a única no executivo se Johnson vencer a liderança do Partido Conservador e se tornar primeiro-ministro. Os atuais ministros das Finanças e da Justiça já anunciaram as suas demissões caso Boris Johnson suceda a Theresa May.

Os militantes do Partido Conservador terminam de votar esta segunda-feira nos dois candidatos – Jeremy Hunt e Boris Johnson. O vencedor será revelado esta terça-feira e tomará posse como primeiro-ministro no dia seguinte.
Duncan pede moção de censura, mas é rejeitada
Alan Duncan tentou avançar com uma moção de censura contra Boris Johnson, para a próxima terça-feira, avança o Guardian.

Duncan terá pedido a realização da moção após a possível eleição de Johnson como líder do Partido Conservador, mas antes da nomeação como primeiro-ministro, que só ocorrerá na quarta-feira à tarde. Um dos motivos foi para evitar "uma crise constitucional".

Por outro lado, apenas o líder da oposição pode apresentar uma moção de censura no Governo que tem de ser debatida. Os outros membros do Parlamento podem apresentar a mesma moção, mas estas são organizadas como moções que ocorrem bastante cedo e que, posteriormente, são ignoradas.

Assim, Duncan tentou utilizar a Ordem N.º 24, que permite aos deputados pedirem debates de emergência, normalmente organizados no dia em que são pedidos, e que podem durar até três horas.

Porém, para um debate de emergência ocorrer, o speaker tem de permitir o pedido do deputado, fazendo um pequeno comunicado na Câmara dos Comuns e decidindo depois se aprova o pedido.

John Bercow, o speaker, bloqueou o pedido de Duncan, nem permitindo a apresentação do comunicado na Câmara.
Ávido crítico de Boris Johnson
Alan Duncan tem sido uma das vozes críticas de Boris Johnson.

Recentemente, Duncan criticou Johnson pela demissão do embaixador britânico em Washington, Kim Darroch, que se demitiu após serem divulgadas mensagens confidenciais em que criticava a Administração Trump. Acusando Johnson de não apoiar o embaixador, disse que "basicamente empurrou o nosso diplomata de topo para debaixo do autocarro".

Anteriormente, Duncan afirmou que Boris Johnson era "a última pessoa na Terra que poderia fazer algum progresso nas negociações com a União Europeia".

Em 2018, descreveu também o momento em que Johnson afirmou que May tinha "vestido um colete suicida" à volta da Constituição britânica, como "um dos momentos mais nojentos da política britânica moderna".

Theresa May e Jeremy Hunt respondem a demissão

May já se pronunciou sobre a demissão de Alan Duncan.


No documento, partilhado no Twitter, May escreveu estar "grata pelos serviços dedicados e energéticos no Foreign Office nos últimos três anos".

"Deixa para trás um registo do qual pode sentir-se orgulhoso – um testamento ao seu trabalho árduo". E continua. "Ao defender, não apenas os interesses britânicos, mas também os valores duradouros que fazem o nosso país o que é, trabalhou para tornar o mundo um lugar mais seguro, mais justo e mais próspero".

Mencionou ainda o papel de Duncan e dos que trabalham no Foreign Office. "Eles ajudam a assegurar que o Reino Unido emerge mais forte, mais justo, mais unido, voltado para o exterior – uma Grã-Bretanha verdadeiramente global, que é a melhor amiga e vizinha dos nossos parceiros europeus, mas que vai mais longe do que as fronteiras da Europa e sai para o mundo, para construir relações com velhos amigos e novos aliados".

Termina com um agradecimento pelo "apoio" nos últimos três anos e durante "os vários anos" que se conhecem.

Jeremy Hunt, o atual ministro britânico dos Negócios Estrangeiros e candidato à liderança do Partido Conservador, também se pronunciou sobre a demissão de Alan Duncan.

No Twitter, agradeceu "pelo seu fantástico serviço para o Foreign Office e para o nosso país" e pelo "legado diplomático magnífico"



"Lidou com as situações mais complicadas em todo o mundo, desde a Rússia à Venezuela, com total profissionalismo e determinação britânica educada".

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