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Democratas prometem conter Administração Trump após histórica vitória

Democratas prometem conter Administração Trump após histórica vitória

Depois de conquistar eleitoralmente o Senado e a Câmara dos Representantes, os democratas prometeram conter o Donald Trump, o que pode levar a vetos e a impasses nos últimos dois anos de mandato desta Administração. Ainda assim, o presidente republicano não deixou de aproveitar as primeiras horas após a derrota do partido que representa para exibir o salão de baile da Casa Branca, ainda em construção.

Inês Moreira Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Aaron Schwartz - Reuters

Para os analistas estes resultados são prova da indignação que tem aumentado nos Estados Unidos com as políticas da Administração Trump, principalmente a guerra com o Irão e o aumento do custo de vida. O Partido Democrático conquistou, nas eleições intercalares de terça-feira, estados tipicamente republicanos e a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes.

Será, por isso, a primeira vez que Trump tem de governar com os democratas a controlarem ambas as câmaras do Congresso. Embora o presidente mantenha um controlo significativo sobre a política externa e as tarifas dos EUA, os democratas vão controlar o orçamento federal, presidir comissões do Congresso e, através do Senado, decidir quais os nomes indicados por Trump que serão confirmados para cargos de segurança nacional e diplomáticos.Prioridades democratas
Especialistas em relações internacionais esperam que agora o Congresso, de maioria democrata, se concentre na acessibilidade financeira e desafie o governo em relação à guerra com o Irão. No entanto, consideram que a ausência de uma maioria à prova de veto pode limitar a capacidade de os democratas reverterem as políticas tarifárias de Trump ou a abordagem em relação à guerra na Ucrânia e às relações com os aliados europeus.

O líder democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, disse na quarta-feira que a nova maioria se quer concentrar na acessibilidade e na responsabilidade.

"Não trabalhamos para Donald Trump", disse Jeffries, um legislador de Nova Iorque que está a caminho de se tornar o primeiro presidente negro da Câmara. "Trabalhamos para o povo norte-americano. E os dias em que a Câmara dos Representantes funcionava como uma subsidiária integral da administração Trump acabaram”.

Segundo o mesmo, este Congresso recém-eleito deve "lutar por uma América acessível", acrescentando que as pessoas "estão a sofrer”.

“Os americanos comuns não conseguem prosperar e mal conseguem sobreviver".

O objetivo agora é que o Congresso assuma o papel de “mecanismo de controlo e equilíbrio sobre um poder executivo fora de controlo”.

Por outro lado, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, prometeu priorizar o fim da guerra com o Irão e afirmou que o corte de verbas para o Departamento de Defesa podia ser considerado caso essa fosse a única maneira de pôr fim rapidamente ao conflito.
Impacto da derrota no Partido Repúblicano
A derrota dos republicanos nas eleições intercalares muda os cenários para a Administração Trump, mas também na corrida para a sucessão na Casa Branca em 2028.

Os especialistas acreditam que este revés dos republicanos afeta particularmente o vice-presidente JD Vance, que era considerado o grande favorito para a indicação do partido como sucessor de Trump, mas agora corre o risco de ficar associado a um presidente derrotado.

O número dois da Casa Branca reagiu aos resultados tentando distanciar-se e atribuindo a culpa à guerra travada por Washington contra o Irão. Aliás, estas declarações foram interpretadas por analistas como uma tentativa de se distanciar do presidente Trump antes de uma possível candidatura à Casa Branca em 2028.

Segundo JD Vance, "muitas pessoas que votaram em Trump/Vance em 2024 votaram nos democratas em 2026" e a culpa é da guerra no Irão.

"A guerra é a razão da nossa derrota", escreveu JD Vance numa longa publicação na rede social X. "Todos sabem porque é que perdemos. E qualquer conversa franca sobre o caminho a seguir tem, a partir de agora, de começar por aí".

“A má notícia para Vance é que vice-presidentes em exercício raramente chegam à presidência", afirmou à AFP James Lindsay, do Council on Foreign Relations.

Foram dezenas de candidatos republicanos diretamente apoiados por Donald Trump que perderam as eleições de terça-feira, o que levanta também questões sobre o poder e a influência do apoio do presidente.

O nome do chefe da diplomacia de Donald Trump, Marco Rubio, também já terá sido mencionado como um possível sucessor.

O secretário de Estado tem mantido um perfil discreto, mas também terá dificuldade em se eximir de qualquer responsabilidade pela guerra contra o Irão.

Após uma noite eleitoral difícil, começou a troca de acusações dentro do Partido Republicano. E há quem já aponte que estes resultados são um sinal de que os EUA estão a assistir ao início do fim do movimento MAGA sob a presidência de Trump.

Apesar de tudo isso, Donald Trump falou do salão de baile da Casa Branca na primeira aparição pública depois das eleições intercalares e ignorou a derrota do Partido Republicano. O Presidente dos EUA elogiou a obra e explicou os materiais que estão a ser usados.

A renovação do salão de baile da Casa Branca é um dos temas que tem marcado o segundo mandato de Donald Trump. O assunto tem gerado polémica e as obras chegaram a estar suspensas por ordem do Supremo Tribunal. Estima-se que as obras do salão de baile custem 400 milhões de dólares, o correspondente a cerca de 355 milhões de euros.


C/agências
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