Dentro de 14 anos, 24 milhões de homens chineses sem mulher para casar

Dentro de 14 anos, 24 milhões de homens chineses sem mulher para casar

Cerca de 24 milhões de homens na China, o país mais populoso do mundo, não conseguirão encontrar mulher para casar a partir de 2020 devido às práticas de abortos selectivos, alerta hoje a imprensa oficial ci tando um estudo académico.

Agência LUSA /

O estudo de Mu Guangzong, professor no Instituto de Pesquisa Demográfic a da Universidade de Pequim, conclui que as estatísticas governamentais chinesas revelam, a partir de meados da década de 1980, um crescimento desproporcionado de rapazes em relação a raparigas, refere o jornal oficial chinês "New Beijing D aily." A China começará em 2020 a sentir esse excedente, que tem como consequê ncia a falta de mulheres em idade para casar, adianta o jornal.

"Muitos homens não poderão concretizar o direito básico ao casamento e à constituição de uma família. É um desastre humanitário de grande magnitude, e que não poderá ser corrigido, porque o que foi feito no passado já não poderá se r desfeito", refere o estudo de Mu Guangzong.

Segundo os especialistas, nascem no mundo 105 rapazes para cada 100 rap arigas, mas na China, no ano 2000, a proporção de recém-nascidos do sexo masculi no era de 117 para cada 100 raparigas.

O estudo de Mu conclui que, entre as causas deste desequilíbrio, estão o facto das famílias preferirem ter filhos mais tarde, além da política do filho único do governo chinês, a preferência das famílias por filhos rapazes e o dese nvolvimento de técnicas de identificação do sexo do bebé antes do nascimento.

A multa para os casais urbanos que tenham um segundo filho pode chegar aos 150 mil reminbi (15,41 mil euros).

Muitas famílias chinesas preferem ter filhos rapazes a raparigas, e emb ora o aborto selectivo - feito normalmente quando o feto é do sexo feminino - se ja proibido na China, continua a ser praticado clandestinamente em grande escala , bem como o abandono de raparigas bebés.

No início na década de 1970 o governo chinês instituiu a política do fi lho único, para lutar contra a expansão populacional da China. A lei foi revista em 2002 para permitir que as 56 minorias étnicas chinesas possam ter mais do qu e um filho e que os camponeses possam ter um segundo filho caso o primeiro seja rapariga.

A política teve como consequência um desequilíbrio de género e, em 2005 , 51,5 por cento dos chineses eram do sexo masculino (673,75 milhões) contra 48, 5 por cento de mulheres (633,81 milhões).

No final de 2005, a população chinesa era de 1,30756 mil milhões de pes soas, segundo dados do Departamento Nacional de Estatística da China.

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