Departamento Estado norte-americano prevê "declínio" da Al-Qaida e vê Irão como maior ameaça
Washington, 31 jul (Lusa) - O Departamento de Estado norte-americano acredita que a Al-Qaida entrou numa "trajetória declínio difícil de inverter" após a morte de Bin Laden e identifica o Irão como maior instigador de atentados terroristas internacionalmente.
A conclusão consta do relatório Terrorismo 2011, elaborado para o Congresso norte-americano e hoje apresentado em Washington, que indica que o número de atentados no ano passado foi o mais baixo desde 2005, sem qualquer incidente terrorista nos Estados Unidos.
O Irão, refere-se no documento, é o "maior fomentador mundial de atividades terroristas", tendo aumentado o seu envolvimento em 2011, que passa por oferecer dinheiro e apoio a grupos terroristas e militantes por todo o Médio Oriente, em particular aos movimentos islâmicos palestinianos Hamas e Hezbollah e mesmo aos talibãs no Afeganistão.
O objetivo é "provavelmente explorar as condições políticas incertas resultantes da Primavera Árabe", e responder à "pressão externa crescente sobre Teerão".
Exemplo deste envolvimento foi o plano frustrado para assassinar o embaixador da Arábia Saudita nos Estados Unidos, adianta o relatório.
A morte de Osama Bin Laden, em maio de 2011, e outros líderes da Al-Qaida "colocaram a rede numa trajetória de declínio que será difícil inverter", lê-se no documento.
Contudo, o Departamento de Estado observa que grupos ligados à Al-Qaida estão ativos, particularmente no sul do Iémen e em outros pontos da Península Arábica, tirando partido das convulsões em vários países da região, ou da retirada de tropas norte-americanas do Iraque.
"Mostraram resistência, mantêm capacidade de levar a cabo ataques regionais e transnacionais e, portanto, constituem uma ameaça duradoura e séria à segurança nacional" norte-americana, refere o relatório.
Militantes ligados à Al-Qaida no Iraque "estarão a alargar o seu alcance à Síria e a procurar explorar a revolta popular contra a ditadura de Bashar Al-Assad", adianta.
O relatório alerta ainda para a crescente atividade da AQIM (Al-Qaida no Magrebe Islâmico), Boko Haram na Nigéria e de terroristas ligados à Al-Qaida na Península do Sinai, Egito.
As mortes de Bin Laden, do número dois da organização, Atiyah Abd al-Rahman, e do operacional no Iémen, Anwar al-Awlaki , fizeram de 2011 "um marco" na luta contra o terrorismo, afirma o Departamento de Estado.
O número de ataques terroristas no ano passado foi de 10.283, causando 12.533 vítimas mortais, em ambos os casos significativamente menos do que em 2010, segundo o Departamento de Estado norte-americano.