Deputada norte-americana alvo de chacota por confundir Gestapo com gaspacho

A deputada norte-americana Marjorie Taylor Greene é a protagonista da mais recente gafe que está a ser motivo de troça nas redes sociais, depois de ter apelidado a polícia do Capitólio de “polícia gaspacho”. A deputada pretendia comparar os agentes do Capitólio à polícia secreta da Alemanha nazi, Gestapo, mas acabou por confundir com o prato típico espanhol.

RTP /
Jonathan Ernst - Reuters

O episódio ocorreu durante uma entrevista, na terça-feira. Marjorie Taylor Greene, forte defensora do ex-presidente norte-americano Donald Trump, comparou a prisão de Washington a um "gulag" – os centros de detenção da União Soviética – e pretendia acusar a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, de usar táticas policiais da Gestapo, mas acabou por confundir com a palavra “gaspacho”.

"Não só temos a prisão de D.C., que é o gulag de D.C., mas agora temos também a polícia de 'gaspacho' de Nancy Pelosi a espiar os membros do Congresso, a espiar o trabalho legislativo que fazemos, a espiar a nossa equipa e a espiar os cidadãos americanos que querem conversar com os seus representantes", disse a deputada no programa " Real America" da One America News Network.


Greene, deputada na Câmara dos Representantes, queria dizer “polícia gestapo”, em referência à polícia alemã que operou durante o regime nazi, que era conhecida pelos seus métodos e operações violentas. Em vez disso, a deputada disse “gaspacho”, a sopa típica espanhola que é servida fria.


A gafe não passou despercebida aos utilizadores das redes sociais, que rapidamente fizerem circular memes sobre o incidente. A democrata Alexandria Ocasio-Cortez não resistiu a tecer comentários sobre a sua colega republicana. “Pelo menos ela lidera pelo exemplo. Ela claramente baniu todos os livros da sua casa há anos”, disse a congressista num tweet.


José Andrés, um famoso chef espanhol, também brincou com a situação na rede social Twitter. "Cara deputada Marjorie Taylor Greene, a polícia do 'gaspacho' foi criada por mim em 1993 para que ninguém colocasse tabasco ou pimenta ou coisas estranhas na minha amada sopa!", escreveu Andrés.


Marjorie Taylor Greene também acabou por brincar com a sua própria gafe. "Não há sopa para aqueles que espiam ilegalmente membros do Congresso, mas vão ser atirados ao goulash", escreveu a deputada republicana na sua conta do Twitter, fazendo um trocadilho entre os “gulag” e “goulash”, o prato de carne tradicional húngaro.


Greene, conhecida por fazer comparações com o regime nazi e por difundir teorias da conspiração e desinformação, referia-se na entrevista a um incidente com outro republicano, o deputado Troy Nehls, do Texas, que acusou a polícia do Capitólio de ter entrado no seu escritório sem autorização e fotografado documentos legislativos confidenciais.

O chefe da polícia do Capitólio, Tom Manger, desmentiu a versão de Nehls, de que foi espiado “ilegalmente”, explicando que um agente apenas entrou no seu escritório porque a porta tinha sido deixado aberta. “Se o escritório de um membro fica aberto e sem segurança, sem ninguém no interior, os agentes têm indicações para documentar e garantir a segurança desse escritório para garantir que ninguém possa entrar e roubar ou fazer algo nefasto”, explicou Manger.

Marjorie Taylor Greene defende, no entanto, que Nancy Pelosi está a usar os agentes do Capitólio “como peões políticos, enviando-os para os nossos escritórios. Nenhum de nós sabe — estiveram nos nossos escritórios à noite? Não sabemos, mas provavelmente estiveram”, acusa a deputada. “Andam atrás de todos nós”, acrescenta.

Greene é uma das figuras mais controversas do Congresso dos EUA. No início do ano, a republicana foi banida da rede social Twitter por divulgar informações falsas sobre a covid-19. Em agosto do ano passado, a deputada já tinha sido avisada com uma suspensão temporária de sete dias depois de ter colocado uma mensagem afirmando que as vacinas estão "a falhar" e que "não reduzem a propagação do vírus".

Um dia depois de ser suspensa do Twitter, o Facebook disse que retirou uma publicação da congressista. "Um 'post' violou as nossas políticas e nós removemo-lo", disse um porta-voz da Meta, empresa proprietária do Facebook.

c/agências
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