Deputado Aécio Neves defende via alternativa a Bolsonaro e regresso de Lula
O presidente da Comissão de Relações Externas e Defesa da Câmara dos Deputados do Brasil, antigo candidato à presidência brasileira, defende "uma terceira via" alternativa a Bolsonaro e ao ex-presidente Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2022.
"Eu defendo uma solução que se dê por uma terceira via que não é, nem o retorno do PT [Partido dos Trabalhadores], que nós combatemos durante muito tempo, que eu não acredito que a receita económica seja boa para o país, nem o Governo de Bolsonaro que tem-se mostrado ineficiente para o país", afirmou Aécio Neves, em entrevista à agência Lusa em Lisboa.
Neste cenário, o economista e político brasileiro, filiado no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) não acha "nada irrelevante" a candidatura do ex-juiz Sergio Moro.
Mas Aécio Neves alertou que o seu partido defende uma terceira via "sem radicalismos" e sublinhou que não acredita "em várias terceiras vias".
"O que nós temos que ter daqui até ao início do ano que vem é desprendimento, para construir uma candidatura com musculatura suficiente para furar essa polarização", que o Brasil vive, advogou.
Neste contexto, para Aécio Neves, o ex-juiz "Sergio Moro é um desses nomes colocados".
"Mas não dá para você ter quatro ou cinco nomes no meio do caminho", advertiu. "Tem que haver maturidade, desprendimento e compreensão de que unidos nós podemos criar uma alternativa nova para o Brasil", considerou.
Uma alternativa "sem radicalismos que veja o mundo de forma moderna", como vê, "que seja liberal na economia, mas que seja efetivo nas questões sociais, que tenha responsabilidade nas questões sociais".
"É essa a terceira via", apontou.
Pelo que, na opinião do parlamentar, esta "tem que ser a soma de todos".
Quanto ao seu partido, o PSDB, disse que irá "fazer prévias [primárias] daqui a duas semanas e vai oferecer um nome a essa discussão, mas todos têm que ser tratados como pré-candidatos".
Porque, "o candidato da terceira via deve ser um só, aquele que, em março, abril do ano que vem, demonstrar maior viabilidade de agregar forças e vencer as eleições numa grande coligação", frisou.
"Então hoje temos quatro cinco pré-candidatos, mas devemos ter um candidato apenas", sublinhou Neves, considerando que se houver quatro ou cinco candidatos à eleição no Brasil esta pode ser "decidida entre o PT e o [atual Presidente] Bolsonaro".
O PSDB, o partido de Aécio Neves, vai apoiar o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, referiu. "Nas prévias esperamos vencer e eu acho que ele tem maior capacidade de aglutinar essas forças em torno do seu nome", acrescentou.
Mas, ao mesmo tempo, o parlamentar admitiu que "terá desprendimento também para apoiar um novo nome que seja mais viável".
O antigo juiz e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro é apontado como candidato à Presidência, de uma chamada terceira via, mas apesar de se ter filiado no partido Podemos ainda não confirmou se avançará com uma candidatura contra o atual chefe de Estado, Jair Bolsonaro, e o ex-presidente Lula da Silva (PT), que lidera as sondagens sobre as presidenciais de 2022.