Deputado brasileiro apresenta pedido de destituição de Bolsonaro
O Presidente do Brasil foi alvo na terça-feira de um pedido de destituição apresentado na Câmara dos Deputados pelo parlamentar Leandro Grass, que invocou, entre outros, o apoio do mandatário a manifestações contra o Congresso.
"Desde que se sentou na cadeira da Presidência da República, em janeiro de 2019, Bolsonaro pratica uma série de atos incompatíveis com o decoro que o cargo exige. O país hoje está em crise económica, estamos a passar por uma crise mundial de saúde e ele ignora os protocolos e coloca a população em risco. O Brasil não tem condições para superar essas crises com Jair Bolsonaro na presidência", disse Leandro Grass, ao justificar a sua decisão.
Deputado distrital pelo partido Rede, Grass defendeu que Bolsonaro cometeu um crime de responsabilidade ao incentivar as polémicas manifestações contra o Congresso e o Poder Judiciário, realizadas no passado domingo, apesar do avanço do novo coronavírus e das recomendações do executivo, para que se evitem concentrações de pessoas.
No domingo, Jair Bolsonaro contrariou as recomendações indicadas pelo Governo brasileiro e juntou-se a dezenas de apoiantes, cumprimentando-os e tirando `selfies` no meio da multidão.
O Presidente brasileiro teve recomendações para ficar em isolamento, após ter sido submetido, na quinta-feira, a um exame para deteção do novo coronavírus, cujo resultado negativo.
Além do incentivo às manifestações, o deputado indicou ainda como motivo para a destituição a alegação de Bolsonaro "sem apresentação de provas" de que as eleições de 2018 foram fraudulentas, as "declarações indecorosas contra uma jornalista e a determinação em comemorar o Golpe Militar de 1964".
"Há outros factos que configuram crimes de responsabilidade cometidos pelo Presidente. Contudo, para fins pedagógicos e para facilitar a compreensão da denúncia, vou limitar-me aos factos acima citados", observou o deputado.
No pedido, o deputado Grass apontou ainda episódios que envolveram não só o chefe de Estado, mas também a família, como "indícios de ligações de parentes com milicianos e movimentações financeiras inexplicáveis de Fabrício Queiroz para a esposa, Michele Bolsonaro".
Fabrício Queiroz foi assessor de um dos filhos de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, quando era deputado regional do Rio de Janeiro.
Os dois estão a ser atualmente investigados no Rio de Janeiro por desvio de dinheiros públicos e branqueamento de capitais.
O Conselho de Controlo de Atividades Financeiras (Coaf) indicou terem sido detetados movimentos bancários atípicos de Fabrício Queiroz, como transferências e levantamentos suspeitos no valor de mais de 1,23 milhões de reais (222 mil euros) entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, sendo que uma dessas transações foi efetuada para a conta da mulher de Bolsonaro, Michele Bolsonaro.
Uma vez apresentado o pedido de destituição, cabe agora ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, decidir se é aceite para dar continuidade ao processo.