Deputado da oposição detido com 2,1 milhões de euros
Um parlamentar brasileiro do Partido da Frente Liberal (PFL, oposição), foi detido hoje com 2,1 milhões de euros em dinheiro depois de uma denúncia anónima, divulgaram fontes policiais.
A detenção verifica-se dois dias depois de um dirigente do Partido dos Trabalhadores (do Presidente Lula da Silva) ter sido apanhado num aeroporto com 155 mil euros em dinheiro, o que levou à demissão do presidente nacional do partido, acusado de envolvimento num grande escândalo de corrupção política.
O deputado hoje detido, João Batista, eleito pelo Estado de São Paulo, foi apanhado quando se preparava para embarcar numa avioneta no aeroporto de Brasília com destino a Goiânia, capital do Estado de Goiás, na região Centro-Oeste do Brasil.
A Polícia Federal chegou ao local depois de receber uma denúncia anónima, encontrando o dinheiro em sete malas. Foram ainda detidas seis pessoas, que se encontravam com o deputado.
O parlamentar justificou que o dinheiro foi doado por elementos da Igreja Universal do Reino de Deus, um das maiores igrejas evangélicas do Brasil, na qual João Batista é pastor.
O parlamentar do PFL foi igualmente presidente da Rede Record, a segunda maior rede de televisão brasileira, depois da Rede Globo, e que pertencente à Igreja Universal do Reino de Deus.
A detenção do parlamentar do PFL acontece dois após a prisão de José Adalberto Vieira da Silva, secretário do PT no Estado do Ceará, nordeste do Brasil.
O dirigente do PT transportava 155 mil euros em dinheiro numa mala e parte nas cuecas quando tentava embarcar num voo de São Paulo para Fortaleza.
Segundo fontes policiais, no momento da detenção, Vieira da Silva apagou da memória do telemóvel as últimas ligações realizadas com o objectivo de dificultar as investigações.
Vieira da Silva trabalhava para o irmão do até agora presidente do PT José Genoíno, o deputado pelo Estado do Ceará José Nobre Guimarães.
Numa tentativa de evitar maior desgaste político para o seu partido, José Genoíno apresentou sábado a demissão da presidência do PT, tendo sido substituído por Tarso Genro, ministro da Educação do Presidente Lula da Silva.
Na semana passada, outros dois dirigentes do Partido dos Trabalhadores anunciaram a demissão na sequência de um escândalo de corrupção que afastou igualmente o ministro da Casa Civil José Dirceu.
O esquema de corrupção, tornado público nas últimas semanas pela imprensa brasileira, envolve igualmente a participação do publicitário Marcos Valério, ligado aos dirigentes do PT, que, segundo as denúncias, utilizava parte dos recursos recebidos por serviços prestados a empresas públicas para pagar uma verba mensal - "mensalão" - a vários parlamentares.
Em troca do pagamento, os deputados deviam apoiar os projectos enviados pelo Governo do Presidente Lula da Silva ao Parlamento brasileiro.
Documentos oficiais comprovam ainda que Marcos Valério foi avalista de pelo menos dois empréstimos do PT junto de bancos privados, no valor total de 1,8 milhões de euros.