Deputado da oposição do Uganda denuncia assassínio de 10 apoiantes pelo exército

Um deputado do partido do opositor Bobi Wine denunciou hoje o assassínio de 10 dos seus apoiantes pelo exército, num clima de violência no Uganda, onde os resultados das eleições presidenciais e legislativas são esperados até sábado.

Lusa /

"Dez pessoas foram mortas dentro da minha casa" na noite de quinta para sexta-feira, disse à agência France-Presse (AFP) Muwanga Kivumbi, dirigente da Plataforma de Unidade Nacional no distrito de Butambala (centro), reduto de Bobi Wine.

"Depois de os terem matado, o exército continuou a disparar. Depois, removeram todas as provas da sua morte. Só resta uma poça de sangue", disse, emocionado.

As eleições presidenciais e legislativas foram realizadas na quinta-feira no Uganda, onde o Presidente cessante, Yoweri Museveni, de 81 anos, dos quais 40 no poder, visa um sétimo mandato consecutivo, apoiando-se no controlo total do aparelho eleitoral e de segurança.

Contra ele, o ex-cantor Bobi Wine, de 43 anos, detido e torturado nas eleições de 2021, acusou o Governo de "fraude eleitoral em massa" e de ter detido dirigentes do seu partido, aproveitando-se do bloqueio da Internet.

No distrito de Butambala, várias centenas de pessoas estavam reunidas na casa do deputado Muwanga Kivumbi para protestar contra uma manipulação dos votos no seu círculo eleitoral quando o exército apareceu, contou à AFP a mulher do político, Zahara Nampewo, entrevistada por telefone.

Enquanto muitas pessoas presentes fugiram para as plantações circundantes, os militares "dispararam através da porta da nossa garagem e mataram 10 jovens, 10 jovens homens, agentes de campanha que tinham vindo ajudar-nos", disse a professora de direito.

"Éramos civis. Não estávamos armados. Eram 03:00 da manhã. Não sei o que fizemos de mal. Foi tão forte [o barulho dos tiros].Não conseguia acreditar no que estava a acontecer comigo e com o meu país", disse.

De acordo com um responsável das forças de segurança ugandesas entrevistado pela AFP, sete pessoas foram mortas por terem atacado o centro local de contagem de votos.

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