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Desastre ferroviário na Grécia. Centenas protestam após "tragédia anunciada"

Desastre ferroviário na Grécia. Centenas protestam após "tragédia anunciada"

Centenas de gregos protestaram, na última noite, depois da colisão de dois comboios, que provocou a morte a 43 pessoas. Os manifestantes falam de uma "tragédia anunciada". Os trabalhadores ferroviários, que já anunciaram uma paralisação, acusam a empresa responsável pelas vias ferroviárias do país de negligência.

Cristina Sambado - RTP /
Alexandros Avramidis - Reuters

Em Atenas, no exterior da sede da empresa responsável pela manutenção dos caminhos-de-ferro da Grécia, os manifestantes entraram em confrontos com a polícia, o que levou as autoridades a usar gás lacrimogéneo para dispersar as centenas de pessoas que lançaram pedras e acenderam fogueiras nas ruas.

Foram também realizados protestos em Salónica e na cidade de Larissa, perto do local onde aconteceu o choque frontal entre uma composição de transporte de passageiros e uma de mercadorias provocando a explosão das carruagens da frente, que ficaram, na sua maioria, destruídas.

O Executivo grego já garantiu a realização de um inquérito independente e decretou três dias de luto nacional.
Os sindicalistas ferroviários acreditam que os sistemas de segurança não estavam a funcionar corretamente, apesar dos repetidos avisos ao longo dos anos.As bandeiras foram colocadas a meia-haste em todos os edifícios da Comissão Europeia, em Bruxelas.


Os trabalhadores ferroviários estão a planear uma paralisação como protesto pelo que afirmam ser negligência da empresa responsável pelas vias ferroviárias no país.

“A dor transformou-se em raiva para dezenas de colegas e cidadãos mortos e feridos”, afirmou um sindicalista quando anunciou a greve.

Muitos dos 300 passageiros que seguiam a bordo eram jovens estudantes na casa dos 30 anos que regressavam a Salónica depois de um longo fim-de-semana de celebração da Quaresma ortodoxa grega. “Erro humano”

O primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis fala de “um trágico erro humano” e o chefe da estação de Larissa, de 59 anos, foi acusado de homicídio involuntário por negligência.

“Uma coisa posso garantir: descobriremos as causas desta tragédia e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que nunca mais uma coisa assim se repita”, afirmou Mitsotakis.

O chefe da estação nega qualquer erro e culpa o acidente por uma falha técnica.

O acidente ferroviário, o mais grave do país, já levou à demissão do ministro dos Transportes, Kostas Karamanlis, que assumiu as “falhas de longa data das autoridades para reparar um sistema ferroviário que não está preparado para o século XXI”. Desconhece-se, para já, a velocidade a que circulavam os dois comboios quando embateram frontalmente. No entanto, a radiotelevisão pública grega avançou que seguiam a mais de 140 quilómetros por hora.

Aos hospitais próximos do local do acidente as famílias das vítimas estão a entregar amostras de ADN para a facilitar a identificação dos mortos.

No entanto, o processo vai tornar-se cada vez mais complicado à medida que os restos mortais dos passageiros das carruagens da frente, que suportaram toda a força do embate e das chamas, forem recuperados.

O porta-voz dos bombeiros revelou que as temperaturas no interior da primeira carruagem atingiram os 1.300 graus Celsius, o que torna “difícil identificar os passageiros que estavam no interior.

c/ agências
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