Descoberta de água na lua abre portas a futuras bases lunares

A Lua não é o planeta seco e desolado que se imaginava e a prova chegou após uma experiência da NASA que fez embater contra a superfície do nosso satélite um engenho de 2,3 toneladas que libertou uma grande quantidade de água. Os cientistas acreditam na possibilidade de construir na Lua um posto exterior permanente para a humanidade.

RTP /
A descoberta de água na Lua abre novas perspectivas para a exploração espacial NASA

A agência espacial norte-americana decidiu fazer uma experiência para tentar confirmar as suspeitas de existência de água na Lua. Enviou um engenho espacial de 2,3 toneladas que fez embater no solo do nosso satélite, na cratera Cabeus, perto do pólo sul do pequeno planeta, em finais de 2009.

Uma sonda LCROSS seguiu o engenho e analisou os destroços do embate que causou uma cratera de 20 a 30 metros de diâmetro. O resultado deixou os cientistas da NASA eufóricos.

A descoberta ultrapassou todas as expectativas. O solo lunar é mais rico e complexo do que os geólogos pensavam. Uma variedade de elementos pode ser aí encontrado. Prata, hidrogénio e mercúrio são elementos que de acordo com a análise dos destroços. Quantidades importantes de água escorreram e foram acumular-se a 15 quilómetros no subsolo da cratera.

As análises feitas aos destroços provocados pelo embate revelam “que no interior das crateras, o solo lunar, sempre na sombra, é rico em matérias úteis e a que a Lua é quimicamente activa e provida de um ciclo de água”, anunciou a agência espacial em comunicado.

A descoberta mais importante foi sem dúvida a da existência de grandes quantidades de água sob a forma de cristais de gelo. A NASA revelou mesmo a existência de oásis cujo solo é rico em água e que poderiam sustentar a vida de astronautas em futuras bases na Lua.

O velho sonho de Júlio Verne ficou mais próximo de se realizar. Os cientistas descobriram 155 litros de água nas análises que efectuaram aos destroços ejectados pelo embate do engenho contra a cratera Cabeus.

“Vai para além das nossas mais arrojadas expectativas”, diz Morris Jones que é um analista espacial que trabalha numa base da Austrália.

“Existe tanta água que estamos bastante confiantes que poderemos ir para lá, viver lá, construir bases e ajudar a Lua a tornar-se uma base permanente para a humanidade”, afirma.

A Lua tem um solo quimicamente activo
As últimas análises aos destroços expelidos da cratera revelam não somente que o solo lunar contém água quase pura sob a forma de cristais de gelo em determinados locais mas também hidroxito, monóxido de carbono, dióxido de carbono, metano, amoníaco, sódio, prata, hidrogénio e mercúrio” revela o geólogo da Universidade de Brown de Rhode-Island Peter Schultz.

“A cratera parece ser um tesouro de elementos químicos” exulta o investigador que explica que a maior parte desses elementos têm origem no constante bombardeamento a que a Lua está sujeita de cometas e meteoritos ao longo de milhões de anos.

O geólogo acredita que os átomos e partículas dos elementos em questão foram depositados na crosta lunar e poderão ter sido rapidamente libertados por outros impactos de meteoritos ou pelo calor do Sol que os carregou de energia.

Uma vez libertados da Regolite – espécie de poeira muito fina que forma o solo lunar – acabaram por atingir os pólos e ficando depositados nas crateras extraordinariamente frias.

Já os astronautas das seis missões Apolo entre 1969 e 1972 encontraram traços de prata e ouro nos locais de alunagem na face da lua exposta à luz solar.

Apesar da existência de prata concentrada nos pólos lunares Peter Schultz ironiza dizendo que “não vale a pena uma exploração mineira”

“A detecção de Mercúrio foi a grande surpresa sobretudo porque o metal era tão abundante quanto a água gelada detectada pelos instrumentos da sonda LCROSS”, sublinha por seu lado, o membro da equipa de investigação e cientista do Instituto de Investigação do Sudoeste, Kurt Retherford.

“A toxidade do mercúrio em grande quantidade poderia por um problema à exploração humana da Lua”, de acordo com o investigador.

Apesar de ter sido um sucesso a missão da LCROSS “suscitou pelo menos tantas interrogações quantas respostas conseguiu dar” às dúvidas dos cientistas de acordo com Peter Schultz.
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