Descoberta relação entre depressão e perda de massa óssea
A depressão pode causar perda de massa óssea e, devido a isso, osteoporose e fracturas, segundo um estudo de investigadores da Universidade Hebraica de Jerusalém (Israel) hoje divulgado nos Estados Unidos.
Os autores do trabalho, publicado pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences, afirmam que a descoberta representa um importante avanço para compreender a relação entre a actividade mental e o sistema ósseo.
A perda de massa óssea é a principal causa da osteoporose e das fracturas ósseas em pessoas idosas, em geral, e em mulheres pós- menopáusicas em particular.
Vários estudos já tinham dado conta que as pessoas com depressão perdiam em geral massa óssea, mas nunca fora estabelecida uma ligação directa entre as duas situações.
Para determinar a relação entre perda de massa óssea e depressão, os cientistas induziram um estado depressivo em ratinhos que, quatro semanas depois, mostraram uma considerável perda de massa óssea.
Essa perda foi causada por um enfraquecimento do processo de renovação óssea, essencial para manter a densidade óssea normal. Este enfraquecimento foi causado por uma redução do número de células produtoras de tecido ósseo, os osteoblastos.
A investigação mostrou que o uso crónico de um fármaco contra a depressão não só parou este estado psicológico, como a perda da densidade óssea, segundo os cientistas.
"A relação entre o cérebro e o esqueleto em geral, bem como a influência da depressão na massa óssea, em particular, são áreas da investigação de que sabemos muito pouco", assinalou Raz Yirmiya, do Laboratório Ósseo da Universidade Hebraica.
Acrescentou ser esta a primeira vez que a depressão é apontada em provas laboratoriais como um elemento importante da perda de massa óssea e da osteoporose.
Este estudo poderá abrir caminho ao desenvolvimento de novos e mais eficientes fármacos contra a osteoporose, a doença degenerativa mais prevalecente no mundo ocidental.
Com esse objectivo, a empresa de transferência de tecnologia da Universidade Hebraica, Yissum, requereu uma patente para o tratamento da osteoporose através de antidepressivos.