Desenvolvimento militar de Pequim ameaça o equilíbrio regional

Washington, 26 Mar (Lusa) - O desenvolvimento militar da China nos domínios nuclear, espacial e cibernético ameaça o equilíbrio regional na Ásia, segundo um relatório do Pentágono, que desejou quarta-feira "mais diálogo" e "transparência" nas questões de defesa entre Washington e Pequim.

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"As forças armadas (chinesas) continuam a conceber e pôr ao serviço tecnologias ´perturbadoras´, nomeadamente nos domínios nuclear, espacial e cibernético, que mudam os equilíbrios regionais e têm implicações para lá da zona Ásia-Pacífico, sustenta o relatório anual do Departamento da Defesa sobre a poderio militar da China.

"O exército chinês ultima também as capacidades de longo alcance cujas implicações ultrapassam Taiwan", que "poderiam permitir à China enviar forças para garantir o acesso aos seus recursos ou para fazer valer as suas reivindicações territoriais", escreve o Pentágono.

O relatório confirma, pela primeira vez, que a China construiu uma nova base naval na ilha meridional de Hainan, que pode receber a sua crescente frota de submarinos, dois dos quais equipados com mísseis balísticos.

"Este porto, que possui infra-estruturas subterrâneas, fornecerá à marinha chinesa um acesso directo a grandes vias marítimas internacionais e permite o envio potencial de submarinos em mar profundo para o mar da China meridional", explica o Pentágono, confirmando informações recorrentes da imprensa.

A publicação do relatório anual do Pentágono sobre a China ocorre pouco depois de um incidente naval no mar da China meridional entre Washington e Pequim.

Pequim acusou os Estados Unidos de terem conduzido no início de Março actividades "ilegais" de espionagem não longe de Hainan, na sua "zona de exclusão económica" com a ajuda de um navio equipado de sonares para detectar submarinos.

Por sua vez, o governo norte-americano garantiu que uma frota de navios chineses perseguira o USNS "Impeccable" nas águas internacionais, e protestou oficialmente junto de Pequim.

O relatório sublinha ainda que a guerra cibernética faz parte das prioridades de Pequim e que numerosas intrusões contra a rede de computadores do governo norte-americano e de outros países "parecem ser vindas" da China.

Na sequência da publicação do relatório, um porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, desejou quarta-feira "um diálogo militar mais robusto" e "mais contactos" com a China, lamentando a "falta de transparência de Pequim" em matéria de defesa.

"Quanto mais dialogamos, mais hipóteses temos de compreender as nossas respectivas intenções, e assim reduzir ou eliminar possíveis mal-entendidos", declarou durante uma conferência de imprensa.

De Outubro a final de Fevereiro, a China suspendeu o diálogo militar com Washington para protestar contra a venda de armas dos Estados Unidos a Taiwan no valor de 6,5 mil milhões de dólares.

Pequim conta aumentar o seu orçamento militar em 14,9 por cento este ano, depois de um aumento de 17,6 por cento em 2008 mas assegura que as suas intenções são puramente defensivas.

TM.

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