"Desfile Planetário" pode ser observado já este sábado

"Desfile Planetário" pode ser observado já este sábado

Os céus de Portugal vão oferecer este sábado uma rara oportunidade de observação astronómica. Seis planetas irão estar visíveis num mesmo alinhamento aparente, num fenómeno que a NASA descreve como um "desfile planetário".

RTP /
Arquivo - Anadolu via AFP

O evento será visível em qualquer ponto da Terra, desde que as condições meteorológicas permitam, sendo o anoitecer o melhor período de observação.

O fenómeno ocorre devido ao alinhamento das órbitas dos planetas em torno do Sol, explicou Heidi Haviland, cientista planetária da Nasa, citada pela CNN Ciência. “Os observadores do céu irão ter a oportunidade de ver seis planetas no céu este sábado, se o tempo permitir”, afirmou.
Quatro dos planetas — Mercúrio, Vénus, Saturno e Júpiter — irão poder ser vistos a olho nu. Já Úrano e Neptuno exigirão o uso de binóculos ou telescópio.
Ao contrário do que acontece com os eclipses solares, não é necessário qualquer tipo de proteção ocular especial para acompanhar este fenómeno.

Em Portugal, os melhores momentos para observação devem ocorrer logo após o pôr do sol, quando os planetas estiverem pelo menos a cerca de dez graus acima do horizonte. Se estiverem demasiado baixos, podem ficar encobertos pela atmosfera.

Para quem prefere madrugar, também será possível tentar observar o fenómeno antes do amanhecer, embora a visibilidade mais favorável seja ao anoitecer.  Heidi Haviland deixa orientações práticas para distinguir os planetas. “Normalmente, Vénus é o primeiro a aparecer”, explicou, acrescentando que será o ponto mais brilhante no céu depois do Sol e da Lua, com um brilho branco intenso e constante no horizonte oeste.

Marte surgirá como um ponto avermelhado, enquanto Saturno apresentará uma tonalidade amarelada. Júpiter poderá ser identificado como o planeta mais alto no céu.
Mercúrio será o mais difícil de localizar, sendo visível apenas durante cerca de 30 a 60 minutos após o pôr do sol e muito próximo do horizonte. 
A cientista planetária da Nasa acrescentou ainda que o desfile planetário serve também como lembrete da dinâmica orbital do sistema solar e da importância estratégica dessas posições relativas para a exploração espacial.

“A missão InSight teve que esperar um ano inteiro para que a Terra e Marte se alinhassem na sua aproximação máxima”, referindo-se à sonda robótica lançada para estudar Marte em 2018. “As órbitas planetárias e sua posição em relação à Terra desempenham um papel importante no projeto da missão”, sublinhou Haviland. 

Além deste alinhamento, o calendário astronómico da Nasa inclui outros fenómenos relevantes nos próximos meses. Na próxima terça-feira, um eclipse lunar total será visível na Ásia, Austrália, Ilhas do Pacífico e Américas, dando origem à chamada “Lua de Sangue”, devido à coloração avermelhada que o satélite natural da Terra adquire.
Será o último eclipse lunar total visível da América do Norte até dezembro de 2028.
No dia 31 de maio ocorrerá uma Lua Azul
— a segunda lua cheia no mesmo mês — fenómeno que, apesar do nome, não altera a cor do satélite.

Já nos dias 8 e 9 de junho, Vénus e Júpiter irão surgir no céu aparentemente separados por uma distância equivalente à “largura de um dedo mindinho”, embora estejam a milhões de quilómetros um do outro, sendo visíveis a olho nu.

Para os observadores em território nacional, a recomendação passa por procurar locais afastados da poluição luminosa das cidades e esperar por um céu limpo. Se as condições colaborarem, o espetáculo promete ser um dos momentos astronómicos mais marcantes do ano.
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