Mundo
Desflorestação prejudica condições de trabalho ao ar livre de milhões de pessoas
A par do aquecimento global, a desflorestação nos trópicos tem tornado o trabalho ao ar livre menos seguro para milhões de pessoas, nos últimos 15 anos. A conclusão é de um estudo que revelou que o impacto do aumento das temperaturas e da humidade, em consequência da destruição florestal, contribuiu para a diminuição de horas seguras para trabalhar em, pelo menos, meia hora.
“As alterações climáticas aumentaram a exposição ao calor em muitas regiões dos trópicos, impactando negativamente na produtividade e na saúde dos trabalhadores ao ar livre”, lê-se no artigo científico, divulgado na sexta-feira na revista One Earth.
De acordo com este estudo, o aumento das temperaturas locais e da humidade, associadas à desflorestação, em regiões tropicais da Ásia, África e no continente americano está a afetar as condições térmicas seguras de trabalho de cerca de 2,8 milhões de pessoas que trabalham ao ar livre, impactando na sua produtividade e saúde.
“Devido às alterações climáticas, estas regiões nos trópicos já estão no limite do que é considerado seguro ou confortável para trabalhar a partir do final da manhã até à tarde”, afirmou ao Guardian Luke Parsons, um investigador da Universidade Duke, na Carolina do Norte e principal autor do artigo.
“E depois juntamos ainda os efeitos da desflorestação e percebemos que as condições de trabalho nestas regiões estão ainda mais inseguras”.
Entre 2003 e 2018, cerca de 4,9 milhões de pessoas em todo o mundo perderam pelo menos meia hora por dia de trabalho em condições de temperatura consideradas seguras, revelam os especialistas.
De acordo com este estudo, o aumento das temperaturas locais e da humidade, associadas à desflorestação, em regiões tropicais da Ásia, África e no continente americano está a afetar as condições térmicas seguras de trabalho de cerca de 2,8 milhões de pessoas que trabalham ao ar livre, impactando na sua produtividade e saúde.
“Devido às alterações climáticas, estas regiões nos trópicos já estão no limite do que é considerado seguro ou confortável para trabalhar a partir do final da manhã até à tarde”, afirmou ao Guardian Luke Parsons, um investigador da Universidade Duke, na Carolina do Norte e principal autor do artigo.
“E depois juntamos ainda os efeitos da desflorestação e percebemos que as condições de trabalho nestas regiões estão ainda mais inseguras”.
Entre 2003 e 2018, cerca de 4,9 milhões de pessoas em todo o mundo perderam pelo menos meia hora por dia de trabalho em condições de temperatura consideradas seguras, revelam os especialistas.
"Os trópicos já estão a tornar-se demasiado quentes e húmidos para se poder trabalhar com segurança", continuou Parsons.
A investigação de Parsons também descobriu que 91 mil pessoas perderam mais de duas horas por dia em temperaturas de trabalho seguras ao ar livre, a grande maioria delas na Ásia.
Saúde das florestas afeta saúde das populações
Já várias investigações têm concluído que a desflorestação está diretamente relacionada com o aumento das temperaturas locais, uma vez que sem árvores a região está mais exposta às radiações solares, o ar não é arrefecido e não há sombras.
Na região brasileira da Amazónia, onde a desflorestação tem aumentado, as temperaturas subiram até 10 graus a mais do que nas regiões ainda florestadas. Mas os efeitos são desproporcionalmente sentidos em locais desflorestados.
Como Parsons explicou à publicação, "até agora, muitos argumentos para promover a conservação das florestas tropicais baseavam-se na biodiversidade ou na mitigação das alterações climáticas".
“Esperamos que este estudo forneça informações adicionais sobre a relação entre a saúde das florestas locais e a saúde humana, que serão analisadas para medir os custos e benefícios da desflorestação”, disse o investigador, acrescentando que a sua equipa concluiu que o aumento da temperatura associado à perda de árvores é mais importante do que o associado às alterações climáticas recentes.
Para a realização deste estudo, foi analisada uma combinação de leituras de temperatura, estimativas populacionais e imagens de satélite da desflorestação global entre 2003 e 2018. Além disso, a investigação focou-se num estudo de caso: o dos Estados brasileiros de Mato Grosso e Pará, na orla da Amazónia e que foram alvo de desflorestação em larga escala nas últimas duas décadas.
“Não podíamos ir a todos os locais onde as pessoas estão a trabalhar e avaliar quando pararam de trabalhar”, explicou Parsons. “Podemos fazer esta avaliação do tempo de trabalho seguro perdido, mas muitas vezes as pessoas podem optar por continuar a trabalhar quando estão condições muito quentes e húmidas, em detrimento da saúde”.
Em cerca de 60 por cento das áreas recentemente desflorestadas, a temperatura aumentou mais de dois graus Celsius. E em 47 por cento das áreas destruídas, foi perdida mais de meia hora por dia de temperaturas saudáveis de trabalho, enquanto esse efeito só foi registrado em quatro por cento dos locais com cobertura florestal.
A equipa de Parsons estima que 1,22 milhões de quilómetros quadrados de florestas tropicais foram destruídos ou degradados nos últimos 15 anos.
“Se as comunidades locais puderem evitar parcialmente a desflorestação tropical, pode haver um benefício tangível para as pessoas que vivem em áreas com floresta tropical”.
Prevê-se que o aquecimento global e a contínua perda de florestas ampliem estes impactos, reduzindo ainda mais as horas de trabalho dos grupos vulneráveis nas próximas décadas.
A exposição ao calor pode afetar o humor e até doenças mentais, além de reduzir o desempenho físico e psicológico, incluindo lapsos de concentração, fadiga, irritabilidade, aumentando o risco de acidentes.
Já várias investigações têm concluído que a desflorestação está diretamente relacionada com o aumento das temperaturas locais, uma vez que sem árvores a região está mais exposta às radiações solares, o ar não é arrefecido e não há sombras.
Na região brasileira da Amazónia, onde a desflorestação tem aumentado, as temperaturas subiram até 10 graus a mais do que nas regiões ainda florestadas. Mas os efeitos são desproporcionalmente sentidos em locais desflorestados.
Como Parsons explicou à publicação, "até agora, muitos argumentos para promover a conservação das florestas tropicais baseavam-se na biodiversidade ou na mitigação das alterações climáticas".
“Esperamos que este estudo forneça informações adicionais sobre a relação entre a saúde das florestas locais e a saúde humana, que serão analisadas para medir os custos e benefícios da desflorestação”, disse o investigador, acrescentando que a sua equipa concluiu que o aumento da temperatura associado à perda de árvores é mais importante do que o associado às alterações climáticas recentes.
Para a realização deste estudo, foi analisada uma combinação de leituras de temperatura, estimativas populacionais e imagens de satélite da desflorestação global entre 2003 e 2018. Além disso, a investigação focou-se num estudo de caso: o dos Estados brasileiros de Mato Grosso e Pará, na orla da Amazónia e que foram alvo de desflorestação em larga escala nas últimas duas décadas.
“Não podíamos ir a todos os locais onde as pessoas estão a trabalhar e avaliar quando pararam de trabalhar”, explicou Parsons. “Podemos fazer esta avaliação do tempo de trabalho seguro perdido, mas muitas vezes as pessoas podem optar por continuar a trabalhar quando estão condições muito quentes e húmidas, em detrimento da saúde”.
Em cerca de 60 por cento das áreas recentemente desflorestadas, a temperatura aumentou mais de dois graus Celsius. E em 47 por cento das áreas destruídas, foi perdida mais de meia hora por dia de temperaturas saudáveis de trabalho, enquanto esse efeito só foi registrado em quatro por cento dos locais com cobertura florestal.
A equipa de Parsons estima que 1,22 milhões de quilómetros quadrados de florestas tropicais foram destruídos ou degradados nos últimos 15 anos.
“Se as comunidades locais puderem evitar parcialmente a desflorestação tropical, pode haver um benefício tangível para as pessoas que vivem em áreas com floresta tropical”.
Prevê-se que o aquecimento global e a contínua perda de florestas ampliem estes impactos, reduzindo ainda mais as horas de trabalho dos grupos vulneráveis nas próximas décadas.
A exposição ao calor pode afetar o humor e até doenças mentais, além de reduzir o desempenho físico e psicológico, incluindo lapsos de concentração, fadiga, irritabilidade, aumentando o risco de acidentes.