Desigualdades raciais e de género no Brasil persistem uma década depois apesar de melhorias

Rio de Janeiro, 04 dez (Lusa) - As históricas desigualdades raciais e de género no Brasil mantiveram-se na última década a nível de salário e educativo, apesar de o país ter dado alguns passos para diminuir os rácios, indica hoje um estudo governamental.

Lusa /

Segundo o estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 17,4% da população com os maiores salários se define como "negra" ou "mulata", apesar de os afrodescendentes representarem 53,6% da população brasileira.

Apesar do reduzido número de negros entre os que auferem os maiores salários, apenas 12,4% das pessoas que residia em 2004 em casas com uma renda média superior a 11.600 reais (cerca de 2.900 euros) assumia ser "negra" ou "mulata".

No outro extremo, os negros e mulatos representam 76% entre os 10% de brasileiros com os salários mais baixos, indica o estudo, elaborado com base em dados recolhidos em 2014 através de uma ampla sondagem por amostras ao domicílio.

Os dados revelam que, do total de negros e mulatos que vivia no Brasil no ano passado, 38,5% situava-se nos estratos económicos mais baixos da sociedade, quando, em 2004, a percentagem era de 41,7%, o que "indicia uma ligeira melhoria", refere-se no documento.

As diferenças raciais também se plasmam na área da Educação, se bem que reflitam igualmente uma "certa melhoria" na última década.

Do total de "negros" e "mulatos" entre os 18 e os 24 anos, 45,5% cursava estudos superiores em 2014, contrastando com os 16,7% registados em 2004. A proporção da população brasileira branca na mesma faixa etária, por sua vez, subiu de 47,6% em 2004 para 71,4% em 2014.

Assim sendo, a percentagem de jovens negros ou mulatos que cursava estudos superiores em 2014 é ainda menor do que a dos brancos que o fazia há dez anos.

Quanto às diferenças de género, o instituto brasileiro defende que houve uma diminuição das desigualdades entre 2004 e 2014.

Há 10 anos, as mulheres com trabalho estável recebiam, em média, 70% do salário auferido pelos homens, enquanto que, 10 anos depois, a diferença reduziu-se em quatro pontos percentuais.

O estudo do IBGE adianta ainda que, enquanto as mulheres dedicam uma média de 22,3 horas semanais em tarefas domésticas, os homens dedicam apenas 10.

A chamada "Síntese dos Indicadores Sociais" também mostra outros aspetos demográficos relevantes, como a taxa de natalidade no Brasil, que caiu 18,6% nos últimos dez anos, ao passar de 2,14 filhos por mulher, em 2004, para 1,74, em 2014.

Com base nos dados de 2014, o Brasil conta com uma experança de vida à nascença de 78,8 anos para as mulheres e de 71,6 para os homens.

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