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Deslizamento de terras fez mais de 700 mortos

Deslizamento de terras fez mais de 700 mortos

Na China as equipas de socorro travam uma corrida desesperada contra o tempo. Três dias depois dos gigantescos deslizamentos de terras que atingiram a cidade de Zhouqu no noroeste do país, o cálculo inicial de vítimas mais do que duplicou. Os números dão agora conta de mais de 700 mortos, mas o balanço poderá ser muito mais trágico, porque mais de mil pessoas continuam desaparecidas.

António Carneiro, RTP /
Uma gigantesca enxurrada de lama soterrou e destruiu casas em Zhouqu, matando mais de 700 habitantes. Mais de 1000 pessoas continuam desaparecidas. Xiong Gang, EPA

Esta manhã as equipas de emergência em Zhouqu conseguiram localizar um sobrevivente, que resistiu três dias, nas ruínas da sua casa, soterrada por toneladas de lama.

O homem de 52 anos seguiu de imediato para o hospital e o salvamento deu um novo alento aos esforços dos socorristas que ainda tentam encontrar pessoas vivas sob as toneladas de terra e pedras.

Soldados do exército chinês estão a trabalhar em equipas, por toda cidade, cavando com as suas próprias mãos nuas, em busca de sinais de vida.

Um dos locais da cidade onde se procuram sobreviventes é nos andares superiores de um prédio de apartamentos que foi esmagado pelos deslizamentos de terras.

Mais de 4500 soldados, bombeiros e pessoal médico foram enviados para a área, além de helicópteros e aviões. As autoridades enviaram tendas, comida e águia, mas há notícias de que alguns dos abastecimentos começam a escassear.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao visitou Zhouqu, para encorajar as equipas de socorro e confortar as populações afectadas.

Desastre ocorreu de madrugadaSegundo as autoridades, os deslizamentos de terras ocorreram na madrugada de Domingo depois de chuvas torrenciais terem atingido a área.

Os detritos transportados pelas cheias bloquearam o rio Bailong, que acabou por transbordar das margens, formando uma espécie de lago e lançando uma torrente pelas colinas abaixo.

A meio da noite uma das encostas adjacentes a Zhouqu cedeu e foi arrastada pela força das águas, lançando através da cidade uma enxurrada de lama que no seu percurso cobriu algumas das casas e destruiu outras.

Os locais por onde a enxurrada passou encontram-se agora cobertos por pedras e terras numa altura equivalente a um prédio de três ou quatro andares.

Nos últimos dias o exército chinês utilizou explosivos para romper o bloqueio do rio. Escavadoras estão a ser utilizadas para remover os detritos a fim de se proceder a uma drenagem controlada das águas da lagoa.

Como medida de precaução, foram retiradas milhares de pessoas das aldeias que ficam nas regiões por onde o rio passa, as quais poderão ser submersas, se a represa natural que se formou rebentar subitamente.

As cheias ocorrem numa altura em que a China se debate com as piores inundações em mais de uma década, que causaram até agora mais de um milhar de mortos e milhões de desalojados por todo o país.

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