Detido em 2022 na Ucrânia. Rússia liberta norte-americano de 74 anos

Detido em 2022 na Ucrânia. Rússia liberta norte-americano de 74 anos

Stephen Hubbard, um norte-americano que esteve preso na Rússia durante mais de quatro anos sob a acusação de lutar como mercenário na Ucrânia, chegou aos Estados Unidos esta quinta-feira, depois de ter sido libertado por Moscovo em resposta a um pedido direto do presidente Donald Trump.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa

Hubbard, um professor reformado de 74 anos, foi capturado no leste da Ucrânia — território sob ocupação russa — durante a invasão em grande escala iniciada pela Rússia em 2022. Foi acusado de lutar ao lado de Kiev, num processo que, segundo a família e o Departamento de Estado norte-americano, se baseou em acusações fabricadas.

Stephen Hubbard seguiu para Washington, D.C., para reencontrar a família, antes de ser levado para uma instalação militar no Texas. Aí, participará num programa do governo americano destinado à readaptação de ex-detidos.

Hubbard passou décadas no estrangeiro a trabalhar como professor de inglês. Em 2014, mudou-se para a cidade de Izyum, no leste da Ucrânia
, que foi ocupada pelas forças russas no início da guerra contra a Ucrânia, em 2022.

A libertação na Rússia foi anunciada no momento em que o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, se reunia com o presidente Vladimir Putin para discutir os esforços de paz na Ucrânia.

Witkoff agradeceu a Putin a libertação de Hubbard, referindo-se ao presidente russo — que é alvo de um mandado de captura do Tribunal Penal Internacional e tem reprimido a oposição no seu próprio país — como um "humanitário".

Um vídeo divulgado pela CNN mostra Hubbard a reunir-se com Witkoff e o negociador russo Kirill Dmitriev no aeroporto de Pulkovo, em São Petersburgo, na quarta-feira.

Nas imagens, Hubbard surge de pé e a caminhar autonomamente
. A família tinha manifestado anteriormente preocupações com o seu estado de saúde.

Witkoff disse a Hubbard — que passou anos numa prisão russa — que Putin "envia-lhe bênçãos e deseja-lhe coisas boas". Embora Trump tenha afirmado que os EUA não tiveram de oferecer nada à Rússia em troca, a libertação de Hubbard acontece numa altura em que o presidente enfrenta acusações de estar a aproximar-se excessivamente de Moscovo, em detrimento da Ucrânia.

Numa publicação nas redes sociais, na quarta-feira, o presidente norte-americano afirmou que, "por respeito ao presidente Trump", a Rússia não exigiu nada em troca da libertação de Hubbard.

No entanto, numa publicação posterior, observou que, "se sanções tivessem sido impostas, certamente as negociações teriam sido interrompidas por completo".


Trump falou com Hubbard logo após a libertação do ex-professor, e o presidente partilhou, nas suas redes sociais, uma fotografia de Hubbard e da sua família a bordo da aeronave que os levava para casa.


Não há planos para que Hubbard se encontre com Trump logo após a sua chegada, devido ao seu estado de saúde. No entanto, um encontro pode ocorrer nas próximas semanas, “quando ele estiver a sentir-se melhor”.

Joseph Coleman, filho de Hubbard, agradeceu a Trump e a outras autoridades norte-americanas por terem garantido a libertação do seu pai.


“Em nenhum momento perdemos a esperança enquanto rezávamos pelo sucesso destas negociações; devemos reconhecer que este gesto humanitário do Presidente Putin nesta questão é profundamente apreciado", disse Coleman.

Coleman relatou que conseguiu conversar brevemente com o pai após a libertação, descrevendo-o como estando "de bom ânimo".

“Ele não falou sobre o tempo que passou na prisão. Apenas expressou gratidão por estar livre”,
disse Coleman à CNN. “Ele estava muito feliz por eu o poder encontrar aqui em Washington, D.C., e por o Thomas — o meu meio-irmão, que também é filho dele — estar aqui.”

Hubbard é o mais recente norte-americano a ser libertado de uma detenção na Rússia.

Em agosto, Robert Gilman foi libertado por razões humanitárias, no meio de sérias preocupações com a sua saúde. O veterano do Corpo de Fuzileiros Navais estava extremamente debilitado e magro quando regressou aos EUA numa aeronave médica especializada. A organização que atua em seu nome afirmou que Gilman foi torturado durante o período em que esteve detido na Rússia.

Pelo menos cinco norte- americanos permanecem presos na Rússia.


Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que espera que a entrega de Hubbard “leve à libertação de todos os americanos mantidos injustamente na Rússia”.

“Esta administração continuará a trabalhar pela libertação de todos os americanos detidos injustamente na Rússia”, declarou. O porta-voz salientou que, “atualmente, não há americanos classificados como detidos indevidamente na Rússia”.
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