Detidos da FDC contestam detenção no Ministério do Interior
São Tomé, 01 Mar (Lusa) - Um grupo de 4 dos quase 30 detidos por alegada "tentativa de inversão da ordem constitucional" em São Tomé e Príncipe vai reclamar junto da Procuradoria são-tomense a sua detenção em instalações do Ministério da Administração interna.
"Não se compreende como é que um juiz ordena que as pessoas sejam conduzidas imediatamente à Cadeia Central, e quatro dessas pessoas nunca deram ali entrada", disse à Lusa Agostinho Fernandes, advogado dos detidos.
Por isso, adiantou, os defensores vão "interpor uma petição junto do procurador-geral da República, para ver em que medida ele pode intervir, enquanto defensor da legalidade".
O presidente da Frente Democrática Cristã, Arlécio Costa, e outros três companheiros de partido estão detidos em celas isoladas, concebidas no período de partido único para enclausurar presos de consciência.
Outros 24 elementos detidos a 11 de Fevereiro por envolvimento na alegada conspiração, encontram-se na Cadeia Central.
Para Agostinho Fernandes, as celas, localizadas nas traseiras do Ministério da Administração Interna, estão a ser usadas como "cárcere".
As autoridades são-tomenses afirmam ter ordenado as detenções por disporem de informações concretas dos serviços de Estado, que não foram detalhadas.
"O caso está a ser investigado. As informações foram entregues ao sistema judiciário, à Procuradoria, e vamos deixar que façam o seu trabalho, dentro da legalidade, dando as garantias que estão previstas a todos, esperamos que a Justiça esclareça os factos e tome as decisões mais adequadas", afirmou sexta-feira em Lisboa o primeiro-ministro são-tomense Rafael Branco.
Arlécio Costa e alguns dos seus companheiros de partido pertenceram no passado ao chamado Batalhão Búfalo, considerada a força militar mais bem treinada e com mais experiência de combate no arquipélago.
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