Detidos quatro antigos diretores da companhia aérea moçambicana LAM

Detidos quatro antigos diretores da companhia aérea moçambicana LAM

Pelo menos quatro anteriores diretores das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), incluindo um antigo diretor-geral, foram detidos por suspeitas de envolvimento em casos de corrupção, indicou hoje à Lusa fonte ligada ao processo.

Lusa /

Segundo a mesma fonte, estão detidos o antigo diretor-geral da companhia de bandeira moçambicana João Carlos Pó Jorge e também os antigos diretores financeiro, operacional e o antigo chefe da tesouraria.

Os antigos funcionários da LAM foram detidos hoje, no âmbito de um processo-crime movido pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) moçambicano, e são acusados de gestão danosa, corrupção, peculato, abuso de cargo ou função, noticia a comunicação social moçambicana.

João Carlos Pó Jorge cessou funções em fevereiro de 2024, num cargo que ocupava desde 2018. A saída aconteceu após o diretor de reestruturação da companhia, Sérgio Matos, denunciar, no mesmo mês, um esquema de desvio de dinheiro, com prejuízos de pelo menos quase três milhões de euros, em lojas de venda de bilhetes, através de máquinas dos terminais de pagamento automático (TPA/POS) que não são da companhia.

Esta terça-feira, o GCCC disse que tem em curso cinco processos-crime sobre irregularidade associadas, entre outros, à contratação de serviços e aluguer de aeronaves na companhia estatal LAM.

"Estão em curso cinco processos-crime relativos às Linhas Aéreas de Moçambique, cada um com objetos específicos e em diferentes fases de tramitação", disse o porta-voz do GCCC em conferência de imprensa, em Maputo.

Romualdo Johnam avançou que parte dos processos já têm arguidos constituídos e suspeitos, entre os quais constam gestores de topo da empresa e outros funcionários de áreas relevantes desta instituição.

Entre outras anomalias verificadas na companhia moçambicana, o GCCC assinala as irregularidades na venda e aquisição de aeronaves, contratação de fornecimentos de fardamento de pessoal, serviços de `catering` e combustíveis, entre outras operações com pagamentos sem justificação contratual adequada.

Segundo o porta-voz da LAM, constituem também instrumentos processuais os contornos e a legalidade da assinatura do memorando entre a entidade estrangeira Fly Modern Ark Airlines South Africa Proprietary e o Instituto de Gestão das Participações do Estado (Igepe) - no contexto da gestão e reestruturação anterior da LAM -, o aluguer de um avião Boeing 737 para transporte de carga, o qual "não chegou a operar por falta de licenciamento", além do pagamento de passagens áreas e pagamentos efetuados por funcionários da empresa a serviços de tradução com preços sobrefaturados ou sem contratos.

"Todos estes processos, os factos indiciam aqui a prática dos crimes de gestão danosa, de abuso de cargo ou função, peculato e outros crimes que ainda possam vir a revelar-se no decurso da instrução", acrescentou Johnam.

A LAM enfrenta há vários anos problemas operacionais relacionados com uma frota reduzida e falta de investimentos, com registo de alguns incidentes, não fatais, associados por especialistas à deficiente manutenção das aeronaves, estando atualmente num profundo processo de reestruturação.

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