Detidos suspeitos do assassínio de líder da oposição da Tunísia

O ministro do Interior da Tunísia Ali Larayedh, anunciou a detenção de "suspeitos" na morte de Chokri Belaid, o líder de esquerda cujo assassínio dia seis de fevereiro, lançou o país numa grave crise política. O primeiro ministro Hamad Jebali, que renunciou ao cargo na passada segunda-feira, anunciou esta tarde que não irá liderar um novo governo.

RTP /
O primeiro-ministro da Tunísia, Hamad Jebali, renunciou ao cargo na segunda-feira e hoje afirmou que não irá formar novo governo Zoubeir Souissi/Reuters

"Jebali declinou a nomeação" como próximo primeiro-ministro, referiu em comunicado o Ennhada, o partido islamita que ganhou as eleições e assumiu o governo da Tunísia.

"Um novo candidato vai ser apresentado ao presidente da república esta semana", acrescentou o comunicado do Ennhada. Jebali é secretário-geral do partido mas não foi referido se se manterá no cargo.

Belaid foi abatido a tiro à porta de sua casa no dia seis de fevereiro, por pessoas que fugiram num motociclo. O assassínio está a ser investigado mas até agora as autoridades não revelaram que resultados estão a ser obtidos, exceto o anúncio da detenção de suspeitos.

O ministro tunisino do Interior, Ali Larayedh, não divulgou contudo nem o número nem a identidade dos detidos, limitando-se a afirmar que "a investigação progrediu bem ao ponto de chegarmos à detenção de suspeitos."

A morte de Chokri Belaid exacerbou ressentimentos e provocou gigantescas manifestações em toda a Tunísia que redundaram em confrontos com as autoridades.

O líder da esquerda era uma das vozes mais ativas contra o governo eleito, de pendor islamita, denunciando violações de direitos humanos e inoperância do governo face à crescente influência do radicalismo islâmico.

As manifestações e contestação generalizadas pela sua morte, levaram à demissão do primeiro ministro Hamadi Jebali no dia 19 de fevereiro.

Jebali procurou responder ao agravamento da crise política propondo formar um governo de tecnocratas com a colaboração de dois partidos seculares e apesar da oposição do próprio partido.

O objetivo era tentar conter os protestos e salvar a frágil democracia tunisina, mas Jebali falhou e acabou por renunciar ao cargo.
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