Dezenas de membros das três maiores máfias de Itália condenados num grande julgamento

Dezenas de membros das três maiores máfias de Itália, acusados de terem-se associado, nomeadamente para o controlo do tráfico de droga na Lombardia, a região mais rica do país, foram condenados hoje num grande julgamento.

Lusa /

Este julgamento, iniciado em maio, concentrou-se no lucrativo "consórcio" montado pela `Ndrangheta`, da Calábria, a Cosa Nostra, da Sicília e a Camorra, da região de Nápoles, na Lombardia.

O tribunal condenou, no total, 62 membros destas máfias a penas de até 16 anos de prisão, cada um, no âmbito de um primeiro procedimento acelerado e decidiu que 45 outros seriam julgados no âmbito de um processo completo, noticiaram os meios de comunicação italianos.

Apelidado de "Hidra", numa referência ao monstro mitológico de várias cabeças, este julgamento é um dos mais importantes relacionados com as atividades das máfias italianas fora dos seus redutos do sul do país.

As poderosas famílias da `Ndrangheta, e em menor grau a Cosa Nostra e a Camorra, conseguiram infiltrar-se na economia do norte de Itália, nomeadamente através de holdings imobiliárias, mas também de projetos de construção ou de investimentos em restaurantes.

Os procuradores de Milão argumentaram que as três máfias tinham acordado esta rara aliança, para extorquir mais dinheiro, abusar de um sistema de crédito fiscal para construções de alta eficiência energética, mas também para controlar o tráfico de drogas ou lavar dinheiro.

O juiz seguiu a opinião do Ministério Público de que se tratava de uma associação "composta por membros dos três grupos", informou a agência italiana Ansa.

Durante 21 reuniões organizadas na região de Milão e Varese, em 2020 e 2021, documentadas durante o julgamento, os membros da máfia teriam decidido conjuntamente onde concentrar os seus esforços, nomeadamente para ganhar contratos de serviços de limpeza ou de estacionamento.

Os acusados condenados hoje tinham optado por um julgamento abreviado, para beneficiar de penas reduzidas.

 Entre estes estava Giuseppe Fidanzati, filho do padrinho da Cosa Nostra, Gaetano, falecido em 2013.

O julgamento decorreu numa sala com segurança reforçada devido às ameaças de morte dirigidas aos procuradores, cuja proteção policial foi reforçada.

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