Dezenas de milhar manifestam-se em Buenos Aires contra a greve dos agricultores
Buenos Aires, 01 Abr (Lusa) - Dezenas de milhar de pessoas manifestaram-se hoje em Buenos Aires para apoiar a presidente argentina, Cristina Kirchner, confrontada com uma greve dos agricultores que dura há três semanas e o bloqueio de estradas.
O peronismo, movimento político do qual saiu a presidente, mobilizou as suas organizações sindicais, políticas e sociais para reunir uma multidão compacta que pouco a pouco invadiu a Praça de Maio, local emblemático das manifestações em Buenos Aires, ao som dos tambores e das palavras de ordem contra a "oligarquia" do "campo" argentino.
A manifestação, a primeira do género desde a chegada ao poder de Kirchner a 10 de Dezembro de 2007, é uma das mais importantes dos últimos anos na Argentina.
Foi decidida em resposta às manifestações de apoio aos agricultores em greve da passada terça-feira, quando milhares de pessoas desceram às ruas batendo em tachos e caçarolas. Esta "caçarolada" já não era ouvida desde Dezembro de 2001 quando a Argentina mergulhou na mais grave crise económica da sua história.
Os agricultores argentinos entraram em greve a 13 de Março, recusando comercializar os seus produtos e bloqueando dezenas de estradas, para protestar contra o aumento dos impostos de exportação de soja.
Este movimento reavivou também as velhas divisões da sociedade argentina entre "povo e "oligarquia", ou peronistas e anti-peronistas, que se confrontaram com palavras de ordem e manifestações de força na rua.
Os produtores rurais mantiveram hoje o bloqueio das principais estradas da Argentina, enquanto o Governo responsabilizou o campo pela escassez de alimentos nas grandes cidades.
A extensão do protesto do campo gerou uma notória escassez de lacticínios, carne, frutas e verduras em Buenos Aires e outras cidades, onde os preços de vários produtos básicos também sofrerem fortes aumentos.
"Há rupturas no abastecimento porque a gente do campo promoveu esta medida de força e são eles os únicos responsáveis", assinalou o chefe do Executivo, Alberto Fernandez, em declarações a rádios de Buenos Aires.
A presidenta argentina anunciou segunda-feira uma série de compensações para pequenos e médios produtores, entre outras medidas, mas reiterou que não fará marcha atrás no novo esquema de impostos às exportações de cereais, o que levou à greve dos agricultores.
A greve patronal do campo causou até agora prejuízos de 1.930 milhões de dólares, montante superior ao que o executivo previu arrecadar com o imposto que desencadeou os protestos, segundo estimativas empresariais reflectidas hoje pela imprensa de Buenos Aires
TM.
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