Dezenas de milhares de peregrinos muçulmanos encurralados na Arábia Saudita
O caos nas viagens causado pela guerra no Médio Oriente afetou dezenas de milhares de muçulmanos indonésios, que se deslocaram à Arábia Saudita para a peregrinação da Umrah, deixando-os retidos e sem formas de regressar a casa.
Até esta quinta-feira, mais de 58.860 peregrinos indonésios estavam retidos na Arábia Saudita, de acordo com o vice-ministro indonésio para o Hajj e a Umrah da Indonésia, Dahnil Anzar Simanjuntak, citado pela Associated Press.
Jacarta está a negociar com as autoridades sauditas e com as companhias aéreas uma forma de aliviar os custos com hotéis e voos dos peregrinos retidos, anunciou Simanjuntak logo no início dos ataques, no passado dia 2.
Alguns peregrinos indonésios da Umrah já regressaram a casa, segundo as autoridades indonésioas, que informaram que 7.782 peregrinos regressaram à Indonésia entre 28 de fevereiro e 02 de março, avançou a agência pública indonésia Antara, citada pelo Jakarta Global.
O Governo indonésio também está a apelar outros cerca de 60.000 peregrinos a adiarem a viagem da Umrah até abril, por razões de segurança, a que o porta-voz do ministério, Ichsan Marsha, designou como uma "questão humanitária e logística urgente".
De acordo com o ministério indonésio para os Assuntos do Hajj e da Umrah, a quota do Hajj da Indonésia para 2026 - que acontece em abril - permanecerá em 221.000 peregrinos, avançou a Antara, a agência pública de notícias do país.
Mais de 43.000 peregrinos indonésios têm viagens programadas para a Umrah entre março e abril, antes do encerramento da temporada, segundo o Jakarta Post na sexta-feira.
Zanirah Faris, uma peregrina retida na Arábia Saudita, disse à emissora de televisão indonésia iNews TV que o seu voo de regresso foi cancelado e que foi transferida para outro voo marcado para 12 de março, pelo que instou o Governo indonésio a ajudar os peregrinos retidos.
Centenas de milhares de pessoas da Indonésia, país com a maior população muçulmana do mundo, viajam anualmente para a Arábia Saudita para os rituais da Umrah, especialmente durante o mês sagrado do Ramadão. Ao contrário do Hajj, a peregrinação pode ser realizada durante todo o ano.
Além dos indonésios, cerca de 1.600 peregrinos malaios da Umrah ficaram também retidos na Arábia Saudita, segundo Mohamad Dzaraif Raja Abdul Kadir, cônsul-geral da Malásia em Jeddah, no litoral saudita no mar Vermelho, na passada terça-feira.
A Malaysia Airlines anunciou entretanto a retomada temporária dos serviços de regresso de Jeddah e Medina, na Arábia Saudita, até domingo, e o ministério dos Negócios Estrangeiros malaio anunciou que está a trabalhar com missões diplomáticas, governos regionais e companhias aéreas para retirar os cidadãos retidos, incluindo os peregrinos.
A Umrah é frequentemente referida como uma peregrinação menor ou secundária e pode ser realizada durante todo o ano, ao contrário da peregrinação anual do Hajj.
O Hajj, um dos pilares do Islão, é obrigatório uma vez na vida para todos os muçulmanos que tenham condições financeiras e físicas para realizá-lo.