Dia de África - Embaixadores africanos incentivam investimento no continente
Os embaixadores africanos no Brasil exortaram hoje, numa iniciativa alusiva ao Dia de África, os empresários brasileiros a serem mais agressivos, derrubarem as "barreiras psicológicas" e investirem no continente.
"O Brasil pode usar o seu `know-how` e tecnologia para produzir em África, visando o mercado mundial. Este deveria ser o caminho. África e Brasil iriam beneficiar-se", assegurou o embaixador do Sudão, Rahamtalla Mohamed Osman, representante da União Africana, em conferência de imprensa.
Com 628 milhões de habitantes, um dos maiores desafios do continente africano actualmente é atrair investimentos e capacitar profissionais para promover a economia dos seus 54 países, a fim de reduzir a pobreza e atender aos Objectivos do Milénio estabelecidos pela ONU até 2015 .
De acordo com o embaixador de Angola no Brasil, Alberto Correia Neto, que representou o grupo dos países lusófonos, cerca da metade da população africana vive actualmente com menos de um dólar por dia.
O embaixador angolano assinalou que "as elites políticas brasileiras esqueceram da África por muitos anos, mas o Brasil está a mudar agora a sua política em relação ao continente".
Desde que assumiu o poder, em 2003, o presidente Lula da Silva já visitou África 17 vezes, e a cooperação com o continente foi reforçada significativamente, reconheceram os embaixadores africanos.
Os diplomatas afirmaram, entretanto, que "não basta apenas vontade política", sendo necessário também que os empresários conheçam melhor a África e constatem que o continente tem condições de receber investimentos brasileiros.
Na opinião dos embaixadores, os empresários brasileiros desconhecem as oportunidades do mercado africano por estarem mais voltados para os países desenvolvidos, nomeadamente os europeus e os Estados Unidos.
"A melhor maneira de incrementar os negócios entre África e Brasil é colocar lado a lado os empresários para conhecerem as respectivas realidades", referiu o embaixador do Zimbábue, Thomas Bvuma, representando o grupo dos países anglófonos.
"Queremos tirar a África da posição de periferia", acrescentou o embaixador de Senegal, Mouhamadou Doudou Lo, que representou os países africanos francófonos.
Segundo os diplomatas, a maior parte das informações divulgadas sobre a África pelos media refere-se a aspectos negativos, como conflitos, mortes, injustiças, o que desencoraja os empresários estrangeiros a investirem no continente.
"É preciso colocar um fim ao afro-pessimismo controlado por parte dos media", assinalou Doudou Loe.
Questionados sobre o endividamento dos países africanos, que ascende a 400 mil milhões de dólares, os embaixadores defenderam o cancelamento das dívidas de todos os países do continente.
"Nós já pagamos pelo menos dez vezes a nossa dívida original e ainda devemos pagar pelo menos mais 100 vezes. Não é justo um país africano pagar 70 por cento do seu PIB (Produto Interno Bruto) somente para os juros da dívida", afirmou o embaixador do Sudão.
Em nome da União Africana (UA), Rahamtalla Mohamed Osman defendeu também o fim dos subsídios agrícolas da União Européia e dos Estados Unidos, que causam graves distorções ao comércio mundial.
Para comemorar o Dia de África, os 21 países africanos com representação diplomática no Brasil organizaram, esta semana, uma intensa programação cultural em Brasília.
Os eventos começaram no sábado, com um jogo de futebol disputado por diplomatas brasileiros e africanos, com vitória da equipa do Itamaraty por 5 x 4.
Um desfile de trajes típicos de nove países da África e uma exposição de artesanato que integra o acervo das embaixadas africanas em Brasília são hoje atracções paralelas à recepção oficial na residência do embaixador de Angola, Alberto Correia Neto.
No jantar, preparado à base de pratos regionais dos diferentes países, haverá cuscuz, calulu, ginguinga e cabidela.
No domingo, dia 27, será realizada uma maratona de 10 quilómetros no Parque Sara Kubitschek, localizado no centro da capital brasileira.
Em 1963, no dia 25 de Maio, reuniram-se em Adis Abeba, capital da Etiópia, 32 chefes de Estado africanos para debater formas de combater a colonização e subordinação a que foi submetido o continente durante séculos.
No encontro foi criada a Organização da Unidade Africana (OUA) e, dada a importância histórica do acto, o 25 de Maio foi instituído, em 1972, pela Organização das Nações Unidas, o Dia da Libertação da África.
A OUA foi extinta há quatro anos, sendo substituída pela União Africana (UA), que tem como principal proposta a independência económica da África.