Dia decisivo nos EUA. Kavanaugh e Rosenstein em xeque
Para Donald Trump, esta quinta-feira será “um dia muito, muito importante na história do país”. Brett Kavanaugh, o homem escolhido pelo Presidente norte-americano para o Supremo Tribunal dos Estados Unidos, vai testemunhar sobre as acusações de abuso sexual de que é alvo. Já Rod Rosenstein, um dos principais responsáveis pela investigação à presumível interferência russa nas eleições norte-americanas de 2016, deverá ficar a saber se vai ser despedido do cargo de procurador-geral adjunto.
É esperado que, na sexta-feira, uma votação no Senado determine se Kavanaugh será o homem eleito para o Supremo Tribunal. As acusações que enfrenta agora, no entanto, poderão ser um entrave.
“Não serei intimidado a retirar-me deste processo”, declarou o juiz. “Os esforços para destruir o meu bom nome não me vão afastar”. Kavanaugh nega todas as acusações de que tem sido alvo, que descreve como “absurdas e escandalosas, talvez até uma manobra coordenada”.
Até Donald Trump já referiu que irá retirar a nomeação atribuída a Kavanaugh caso este seja indiciado. Para já, porém, o Presidente norte-americano continua a defender o juiz.
“Não é suposto que alguém seja considerado culpado até prova em contrário”, declarou durante uma conferência de imprensa na quarta-feira. “Esse é um padrão muito perigoso para o país”.
Trump culpa os democratas pela crescente polémica em torno das acusações a Kavanaugh, acusando-os de se estarem a esforçar “para destruir uma boa pessoa”. “É a isto que se chama política de destruição”, declarou através do Twitter.
“Os democratas estão a rir-se de tudo isto atrás das nossas costas. Rezem por Kavanaugh e pela sua família!”
The Democrats are playing a high level CON GAME in their vicious effort to destroy a fine person. It is called the politics of destruction. Behind the scene the Dems are laughing. Pray for Brett Kavanaugh and his family!
— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) 26 de setembro de 2018
Donald Trump, também ele acusado de assédio sexual por mais de uma dezena de mulheres, aproveitou a conferência de quarta-feira para mostrar a sua oposição para com o movimento “#MeToo”, considerando que este é “muito perigoso” e constitui uma ameaça injusta para os homens poderosos.
“Já foram feitas muitas acusações falsas contra mim”, garantiu. “Tenho amigos que já passaram pelo mesmo. As pessoas querem fama. Querem dinheiro”.
A mais recente acusação contra Kavanaugh veio de Julie Swetnick, que diz ter sido vítima de uma violação em grupo na qual estava presente o atual nomeado ao Supremo, no início da década de 1980.
Swetnick, de 55 anos, está a ser representada pelo mesmo advogado que defende o caso de Stormy Daniels, a atriz de filmes pornográficos que diz ter mantido relações com Trump nos anos 2000.
Rosenstein e a “caça às bruxas”
Esta quinta-feira será também decisiva para Rod Rosenstein, atual procurador-geral adjunto dos Estados Unidos e um dos principais responsáveis pela investigação à interferência russa nas eleições norte-americanas de 2016.
Desde que assumiu este papel, Rosenstein tem sido acusado por Trump de liderar uma “caça às bruxas”. Depois de, alegadamente, ter manifestado intenções de gravar em segredo conversas com o Presidente de modo a “expor o caos na Casa Branca”, o procurador-geral adjunto revelou que pretende demitir-se em breve.
Neste dia de grandes decisões deverá ficará a saber-se se Trump vai aceitar o pedido de demissão de Rosenstein ou se irá mesmo despedi-lo. O Presidente dos Estados Unidos anunciou, porém, que talvez decida adiar a reunião de modo a poder concentrar-se no caso se Kavanaugh.