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Dia Mundial da Ajuda Humanitária. Contribuição da UE custa 4 euros por ano a cada cidadão europeu
De acordo com os dados da Comissão Europeia até à data, em 2026, foram mortos 82 trabalhadores humanitários, 39 foram raptados e 97 ficaram feridos.
«No Dia Mundial da Ajuda Humanitária, prestamos homenagem à extraordinária coragem dos trabalhadores humanitários que todos os dias se expõem a situações de perigo ao fornecerem alimentos, água, abrigo e cuidados médicos a pessoas desesperadas. A sua dedicação — muitas vezes em locais para onde o mundo deixou de olhar — é uma das expressões mais poderosas de solidariedade da humanidade” pode ler-se no comunicado conjunto emitido no dia de hoje.
A chefe da Diplomacia Europeia e a Comissária para a Gestão de Crises referem que “a coragem tem muitas vezes um custo terrível. Os trabalhadores humanitários continuam a ser atacados, raptados e mortos a um ritmo alarmante”.
De acordo com os dados da Comissão Europeia até à data, em 2026, foram mortos 82 trabalhadores humanitários, 39 foram raptados e 97 ficaram feridos.
Bruxelas realça que “os ataques contra pessoal humanitário, hospitais e alvos civis não são acidentes, mas sim violações do direito internacional humanitário. No entanto, a lei é clara: a proteção dos civis, incluindo os trabalhadores humanitários, não é facultativa. A impunidade só alimenta novas atrocidades”.
“Cada uma das mortes de trabalhadores humanitários não representa apenas uma tragédia pessoal; constitui também um fracasso da comunidade internacional em honrar os seus compromissos mais básicos”.
Através do programa de resposta rápida Protect Aid Workers (Proteger os trabalhadores humanitários), a UE presta apoio imediato aos trabalhadores humanitários locais alvo de ataques.
“Este apoio é vital” referem a Comissária e a Chefe da Diplomacia Europeia, “os trabalhadores humanitários locais representam 90 % das pessoas visadas, embora muitas vezes não disponham das proteções ao dispor do pessoal internacional. Em 2025, o programa prestou assistência a 782 trabalhadores humanitários em 25 países”.
As crises humanitárias e ajuda da União Europeia
Kaja Kalla e Hadja Lahbib salientam que “atualmente, a dimensão do sofrimento humanitário mundial é impressionante”.
E destacam que “no Sudão, uma das piores crises humanitárias do mundo continua a ceifar vidas e a deslocar milhões de pessoas, enquanto o acesso humanitário é sistematicamente bloqueado. Em Gaza, a destruição e o sofrimento continuam numa escala catastrófica".
"Na Ucrânia, a guerra de agressão da Rússia criou necessidades humanitárias que se estendem muito para além das fronteiras do país, perturbando as cadeias de abastecimento alimentar e empurrando as comunidades vulneráveis para crises mais profundas em África e no Médio Oriente. Do Corno de África ao Sael, do Afeganistão a Mianmar, as crises humanitárias continuam a desenvolver-se com muito pouca atenção a nível mundial”.
Bruxelas refere ainda que “as tecnologias emergentes estão a transformar radicalmente a guerra, criando novos riscos para os civis e colocando ainda mais à prova o respeito pelo direito internacional humanitário”.
A União Europeia é um dos maiores doadores humanitários do mundo, mas reconhece que o dinheiro, por si só, não resolve todos os problemas e que é necessário prosseguir a diplomacia humanitária para defender um acesso humanitário rápido, seguro e sem entraves, para que os trabalhadores humanitários possam chegar às pessoas mais necessitadas.
De acordo com dados de Bruxelas, só este ano, a UE já mobilizou 1,9 mil milhões de euros para responder a crises humanitárias em todo o mundo.
Uma parte desse financiamento é destinada especificamente a “situações que recebem pouca atenção mediática”.
Em todas as operações da UE, 15% do orçamento humanitário anual é reservado para emergências com pouca cobertura dos meios de comunicação social, procurando garantir que o financiamento é atribuído de acordo com as necessidades e não em função da visibilidade de cada crise.
Quatro euros por ano
A União Europeia presta assistência em função das necessidades a países e populações, tanto na Europa como no estrangeiro, em caso de grandes catástrofes ou emergências humanitárias.
Este pilar fundamental da ação europeia começou a ser desenvolvido em 1992.
Em conjunto, os países da UE estão entre os principais doadores mundiais de ajuda humanitária, apoiando anualmente milhões de pessoas em todo o mundo. Esta ajuda representa 1 % do orçamento anual total da UE, ou seja, cerca de quatro euros por cidadão europeu.
Através da sua ajuda humanitária, a UE presta assistência às populações mais vulneráveis, fornecendo-lhes:
- alimentos e nutrição
- abrigo
- cuidados de saúde
- água e saneamento
- educação em situações de emergência
A vasta rede de peritos humanitários da Comissão Europeia presente em mais de 40 países em todo o mundo permite acompanhar de perto as situações de crise e as operações de socorro.
A ajuda é canalizada através de mais de 200 organizações e entidades internacionais e locais parceiras.
As vozes da Humanidade
“Saudamos todos os trabalhadores humanitários pela sua coragem e pelo seu trabalho fundamental. A ajuda humanitária é uma expressão da nossa humanidade comum. A UE continua a ser um doador humanitário empenhado enquanto as necessidades persistirem.»
No Dia Mundial da Ajuda Humanitária Bruxelas quis distinguir os voluntários e trabalhadores através da página as Vozes da Humanidade, pessoas dedicadas a garantir as necessidades básicas das populações em zonas afetadas por crises, trabalhando em algumas das condições mais adversas do mundo.
Nesta nova campanha, podem ouvir-se testemunhos de médicos, especialistas em logística, técnicos de proteção, engenheiros e outros profissionais.
São na maioria pessoas dos países atingidos, que vivem na região e conhecem as envolventes específicas de cada zona.
Procuram garantir assistência em áreas marcadas por conflitos, deslocações forçadas e catástrofes, criando relações de confiança com as comunidades e os principais atores sociais e políticos para garantir o acesso da ajuda disponibilizada pela União Europeia.
Os conteúdos desenvolvidos no âmbito desta campanha vão ser divulgados entre agosto e dezembro em 13 Estados-membros, entre os quais Portugal.
Esta campanha é lançada numa altura em que o setor da ajuda humanitária internacional enfrenta uma forte crise, depois de a administração norte-americana de Donald Trump ter cortado cerca de 83% dos programas da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, que geria fundos equivalentes a 42% de toda a ajuda internacional.
O objetivo é sensibilizar os cidadãos para as necessidades e situações que precisam do apoio de todos.
Pode conhecer algumas destas vozes aqui.