Diálogo entre Governo da Venezuela e oposição marcado por restrições à imprensa
O início do diálogo entre o Governo da Venezuela e a oposição esta quinta-feira ficou marcado por restrições à imprensa e a intimidação de uma jornalista que tentou fazer a cobertura da primeira reunião das negociações.
A denúncia foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores da Imprensa da Venezuela (SNTP) através das redes sociais, numa publicação em que considera o ocorrido "grave" e que viola as garantias democráticas.
"O SNTP alerta que funcionários não identificados abordaram, a 06 de agosto, a jornalista Deisy Martínez, do [portal web] Efecto Cocuyo, quando esta saía de La Carlota, onde tentava cobrir a primeira reunião do diálogo entre representantes da Assembleia Nacional eleita em 2015 e o governo interino", denuncia o sindicato na rede social X.
Na mesma rede social o SNTP explica que "ao sair do recinto, cerca de seis homens em motociclos, armados e vestidos de preto, a intercetaram e exigiram-lhe que lhes entregasse o telemóvel".
"Perante a intimidação, a jornalista acedeu. Os funcionários revistaram o [telemóvel], apagaram as imagens que ela tinha tirado e fotografaram o seu cartão de identificação. Durante o procedimento, discutiram por rádio se deviam levá-la para a Direção-geral de Contra inteligência Militar, mas acabaram por receber a ordem para a deixarem ir", explica.
Segundo o SNTP, "embora a imprensa tenha sido convocada, foi posteriormente negado o acesso aos jornalistas", com o sindicato a consider "grave que o início do diálogo esteja marcado por restrições à cobertura e pelo assédio a uma jornalista".
"Estas práticas contradizem as garantias democráticas que o processo afirma promover. Exigimos que se investigue o ocorrido e que se garanta à imprensa um acesso livre, seguro e sem discriminação", alertou o sindicato.
O Governo da Venezuela e a oposição iniciaram quinta-feira uma mesa de diálogo para uma transição tutelada pelos Estados Unidos, tendo emitido um comunicado conjunto informando tendo chegada a acordo sobre a metodologia de trabalho, o calendário inicial de sessões e os princípios que regerão as conversações.
Segundo o documento o primeiro ciclo de trabalho decorrerá em sessão permanente até à quarta-feira, 12 de agosto.
O comunicado explica que ambas delegações subscreveram uma série de princípios para conduzir o processo, entre os quais o respeito pela soberania nacional, a negociação de boa-fé, a busca de benefícios para a Venezuela, e uma solução política, pacífica, democrática e constitucional.
Pediram também reconhecimento recíproco, igualdade política na mesa de negociações, o cumprimento verificável dos compromissos, e a proteção dos direitos humanos e políticos, comprometendo-se em manter o país informado sobre o desenrolar das conversações.
Pelo Governo da Venezuela participam nas negociações o presidente do Parlamento Jorge Rodríguez, a ministra da Educação Universitária, Ana María Sanjuán, o primeiro vice-presidente do Parlamento, Pedro Infante, e os deputados América Pérez, Génesis Garvett e Jorge Arreaza.
A oposição está representada pelos ex-deputados Dinorah Figuera, Marco Aurélio Quiñones, Ramón López, Jorge Millán, Juan Miguel Matheus e Sérgio Vergara.