Dinamarca defende presença permanente da NATO na Gronelândia

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, defendeu esta terça-feira que a solução para a segurança da Gronelândia poderia ser uma presença permanente da NATO, ao estilo dos países bálticos, adiantando que Copenhaga fez esse pedido à Aliança Atlântica.

RTP /
Foto: Johanna Geron - Reuters

"O que propusemos através da NATO é uma presença mais permanente na Gronelândia e arredores", disse, segundo a agência Ritzau, após uma sessão de escrutínio parlamentar em Copenhaga.

A proposta é inspirada no trabalho da aliança na região do Mar Báltico, onde as tropas da NATO estão permanentemente estacionadas na Estónia, Letónia e Lituânia e também cooperam na vigilância marítima através da missão chamada "Baltic Sentinel".

"Isto pode ser transferido para a região ártica", considerou Frederiksen.

Perante as pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para anexar a Gronelândia, o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, e a ministra dos Negócios Estrangeiros da ilha ártica, Vivian Motzfeldt, propuseram ao secretário-geral da NATO, Mark Rutte, uma missão em redor do território autónomo do Reino da Dinamarca.

Frederiksen comentou hoje que "houve uma resposta positiva" ao compromisso da NATO em reforçar a segurança.

A primeira-ministra dinamarquesa também aludiu às manobras militares designadas como "Resistência Ártica", levadas a cabo pelas forças armadas dinamarquesas na Gronelândia e que foram acompanhadas por alguns aliados europeus da NATO, sublinhando que não se trata de uma reação contra os Estados Unidos, com os quais houve "total transparência". Outros países enviaram militares em reconhecimento para explorar possibilidades de cooperação.

No sábado, Donald Trump afirmou que pretende cobrar tarifas (de 10% em fevereiro e de 25% em junho) sobre mercadorias de oito países europeus devido à oposição ao controlo dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, entre os quais seis Estados-membros da União Europeia (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido).

A imposição de tarifas manter-se-ia até que fosse alcançado um acordo "para a compra total da Gronelândia" por Washington.
Exército do Canadá estuda cenário de invasão pelos EUA
O Exército canadiano criou entretanto um cenário de invasão militar do Canadá pelos Estados Unidos e suas possíveis respostas, noticiou hoje o diário Globe and Mail, enquanto o presidente norte-americano novamente falava de conquistar o país.

É a primeira vez em mais de um século que o Exército do Canadá teoricamente considera a hipótese de um ataque dos Estados Unidos ao seu território, segundo o jornal canadiano, que cita dois altos responsáveis governamentais.

Estes sublinharam, todavia, que não se trata de um plano operacional, mas de um modelo utilizado para fins de reflexão estratégica, considerando, aliás, altamente improvável que uma tal operação seja equacionada pelo Governo de Donald Trump.

Mas, desde que regressou à Casa Branca, em janeiro do ano passado, para iniciar o seu segundo mandato presidencial (2025-2029), Trump tem reiteradamente expressado o desejo de que o Canadá se torne o 51.º Estado norte-americano.

Na madrugada de hoje, enquanto as ambições dos Estados Unidos na Gronelândia preocupavam os aliados de Washington, Trump publicou uma série de fotos geradas por Inteligência Artificial na sua rede social, Truth Social, mostrando-o na Sala Oval com líderes europeus, em frente a um mapa onde a bandeira norte-americana cobre não só os Estados Unidos, mas também o Canadá, a Gronelândia e a Venezuela.

De acordo com os cenários considerados pelos militares canadianos, em caso de uma ofensiva vinda do sul, as forças norte-americanas poderiam neutralizar posições estratégicas canadianas importantes em menos de uma semana, ou até mesmo em apenas dois dias.

Nesse cenário, a resposta canadiana poderá assumir a forma de uma campanha de tipo insurgente, incluindo emboscadas e "táticas de guerrilha" comparáveis às dos conflitos no Afeganistão, prevê o Exército.

Contactado pela agência de notícias francesa AFP, o Ministério da Defesa Nacional do Canadá não emitiu até agora qualquer comentário sobre a situação.

O Canadá é um membro fundador da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental) e parceiro de Washington na defesa aérea do continente norte-americano, com um comando militar conjunto, o NORAD.

c/ Lusa

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