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Dinamarca recusa indemnizar "crianças roubadas" da Gronelândia
O Governo dinamarquês rejeitou indemnizar quatro cidadãos de origem gronelandesa que afirmam ter sido adotados de forma abusiva entre as décadas de 1950 e 1970. A decisão foi anunciada esta quinta-feira pelo advogado dos requerentes, que prometeu levar o caso aos tribunais.
Uma das requerentes, Kâlànguak Absalonsen, nasceu na Gronelândia em 1971 e foi adotada por uma família dinamarquesa ainda em criança, sem compreender que estava a ser afastada definitivamente da sua mãe biológica. “A minha mãe não sabia o que significava, que ao assinar não estava autorizada a ter contacto comigo”, contou.“Acabámos de receber uma resposta negativa e vamos levar o caso a tribunal na Dinamarca”, declarou à agência France Presse o advogado Mads Pramming, que representa as vítimas.
Para o Ministério dos Assuntos Sociais da Dinamarca, no entanto, não existem provas suficientes de que estas adoções tenham sido ilegais.
Para o Ministério dos Assuntos Sociais da Dinamarca, no entanto, não existem provas suficientes de que estas adoções tenham sido ilegais.
“A informação disponível não permite concluir que exista uma base jurídica que permita afirmar que a adoção foi realizada sem o consentimento da mãe biológica”, refere o ministério numa carta enviada à AFP.
Ainda assim, os testemunhos indicam que muitas destas adoções não foram compreendidas pelas famílias Inuit, habituadas a práticas tradicionais de adoção aberta, em que a criança mantém laços estreitos com os pais biológicos.“O fosso cultural entre a lei dinamarquesa e a tradição Inuit fez com que muitas famílias não percebessem que estavam a perder os filhos para sempre”, explicou a antropóloga Gitte Reimer, que investigou estes casos.
De acordo com o seu trabalho académico, pelo menos 257 crianças gronelandesas foram adotadas por dinamarqueses em condições pouco claras.
Ainda assim, os testemunhos indicam que muitas destas adoções não foram compreendidas pelas famílias Inuit, habituadas a práticas tradicionais de adoção aberta, em que a criança mantém laços estreitos com os pais biológicos.“O fosso cultural entre a lei dinamarquesa e a tradição Inuit fez com que muitas famílias não percebessem que estavam a perder os filhos para sempre”, explicou a antropóloga Gitte Reimer, que investigou estes casos.
De acordo com o seu trabalho académico, pelo menos 257 crianças gronelandesas foram adotadas por dinamarqueses em condições pouco claras.
Os quatro requerentes pedem uma indemnização de 250 mil coroas (cerca de 33.500 euros) cada.